Coluna Vertical
Os bons e os maus
O Padre Américo dizia que não há rapazes maus. E países maus? Há quem queira fazer-nos crer que sim. Países malcomportados, piores do que os outros, merecedores de todos os males e castigos. E porque há países maus, os bons sentem-se obrigados a administrar-lhes toda a sorte de correctivos, na bondosa assunção de que é para o seu próprio bem.
Por:Luís Campos Ferreira, presidente da Comissão de Economia e Obras Públicas
Por estes dias, a Grécia encabeça os países maus e Portugal é o segundo da lista. Rejeito esta visão maniqueísta do mundo. É de vistas curtas, de quem não tem perspectiva histórica ou, pior, ignora selectivamente a História. É inegável que há momentos maus na vida dos países – nós e os gregos que o digamos. Mas não nos reduzimos a esta circunstância. Por isso, lido muito mal com a atitude de muitos países europeus nesta crise. Arvoram-se de uma superioridade como se não houvesse passado nem futuro. Mas o devir histórico é um boomerang, vai e vem. E recorda-nos, por exemplo, que a Holanda – hoje um dos países mais renitentes a apoiar os países em dificuldades – encheu os seus cofres com o dinheiro dos judeus portugueses expulsos no século XVII. Quem eram os bons e os maus nessa altura?
Só agora começou a acordar que a União Europeia, é a União tal qual a União Soviética, a poderosa manda e dá tau tau aos pobres!