Ora se é exacto que Vítor Gaspar é conhecido por ser daquela escola e é manifesta a crença do Executivo de que medidas económicas não, que da austeridade e do mercado nascerá crescimento, o que caracteriza, genuinamente, este Governo é ser o primeiro, depois de Abril, que assume o enquadramento e as práticas da direita caceteira. E antes de tudo, como aconteceu séculos a fio, não tocar nos ricos, sejam empresas, sejam pessoas, e fazer da classe média e dos pobres o destinatário de toda a austeridade – na carga fiscal, na política social, nos custos do trabalho.
Valia, por isso, a pena que uma mão-cheia de peritos na administração pública e de economistas sem obediência oferecessem ao País o inventário, os custos e as poupanças do que se pode extinguir, desde institutos públicos a subsídios e fundações, e do que se pode renegociar, especialmente as PPP.
Para ver se, finalmente, tem o País arma de arremesso que doa contra esta gente.
Classificar este governo como sendo "neoliberal" é pura ignorância; o (neo)liberalismo tem duas facetas: a política e a económica, onde a segunda está subordinada à primeira.Este governo só tem a segunda,e mal percebida.