Perante as ameaças que actualmente se colocam ao direito dos cidadãos à Saúde, a medida poderá até ser considerada irrelevante, mas não é justo classificá-la de "fundamentalista", "paternalista", "excessiva", "intrusiva", "impositiva", quando o seu objectivo é proteger as crianças.
O Estado está a ir longe demais ao entrar no espaço privado dos cidadãos, como é o caso do carro? Mas a verdade é que o Estado já nos entrou no carro há muito tempo, proibindo ao condutor o álcool e o telemóvel e impondo-lhe o cinto de segurança. A medida é praticamente impossível de fiscalizar, e seriam mais eficazes campanhas de sensibilização para os perigos do fumo passivo nas crianças? Sim, mas a proibição pode dissuadir ou no mínimo alertar os mais inconscientes, além de relançar o debate, sempre útil, sobre os malefícios e os custos do tabagismo.
Quanto à questão da intromissão na esfera privada, ela cai por terra quando outro valor mais alto se levanta: a saúde, e a vida, das crianças.
A primeira coisa que lamento é que seja necessária uma lei para dizer aos pais o que não deviam fazer.Qualquer pai responsável devia sabê-lo.Lamento ainda que haja quem defenda a anarquia.Vivemos em Sociedade com regras.