A culpa é do euromilhões, claro. Segundo me disseram, o prémio atingia 135 milhões de euros. E os portugueses são campeões europeus no registo de boletins – e, consolação máxima, dos principais ganhadores desde 2004. A coisa, aparentemente, espanta: com os rendimentos a diminuir e os impostos a subir, como explicar este entusiasmo intocável e intocado? A resposta não é animadora: numa sociedade que não premeia o trabalho e o mérito; e onde a corrupção parece impune e endémica, instalou-se a ideia de que só por um golpe de sorte é possível mudar a vida. Os portugueses não jogam com esperança; jogam por desesperança. A febre do euromilhões diz muito sobre o País que somos.
Os portugueses são gente do outro mundo. Os festivais estão cheios, os futebois estão cheios, os espectaculos estão cheios, os motociclistas de Faro, estavam cheios. Afinal o que se passa?