A Voz da Razão
Daqui não saio
A crise corrente não é apenas económica. Começa por ser cultural. Basta ver as reacções indignadas ao novo regime de mobilidade geográfica para a função pública. Ideia do governo: quando não há trabalho aqui, o funcionário tem de ir para acolá.
Por:João Pereira Coutinho, colunista
Onde faz falta. Nada mais básico: entre o desemprego e a deslocação, em especial num país do tamanho de um penico, qualquer pessoa racional não hesita. Mesmo, ou sobretudo, pessoas com famílias para sustentar.
Mas Portugal tem uma particular visão das coisas: o sonho do lusitano médio é viver no 1º piso; trabalhar no 2º; fazer as suas férias no 3ª; viver a reforma no lar de idosos que fica no 4º; e, quando a hora chegar, ter o serviço fúnebre no 5º. E se alguém sugere, como o deputado João Almeida do CDS, que o trabalhador pode sempre recusar a proposta e ‘desvincular-se' (como acontece em qualquer empresa), o herege é logo queimado no pelourinho.
Reformar o país é fácil. Difícil é reformar a cabeça dos nativos.
Os portugueses estao mal habituados, ou melhor, habituaram-nos mal.Deviam emigrar para saber o que e lutar pela vida.Deviam levantar-se as cinco da manha e ir trabalhar para distancias entre os 100 e 150 quilometros.