Ao fim e ao cabo
Injustiça sem nome
O caso de Rui Pedro, a criança desaparecida de Lousada em 4 de Março de 1998, é o retrato perfeito do pior da nossa Justiça – um retrato dramático e fiel. A Polícia Judiciária nem chegou a iniciar uma investigação séria e digna desse nome.
Por:Manuel Catarino, Subdirector
A PJ, em boa verdade, nunca investigou – ou, se porventura alguma coisa fez parecida com isso, abandonou pistas, enervou os pais que não sabiam do filho, desinteressou-se – e o processo definhou durante cinco anos, sem qualquer avanço, com a complacência do Ministério Público de Lousada. Em 2003, o caso foi entregue ao Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP) – onde esteve mais ou menos adormecido durante oito longos anos. Até que, em Fevereiro de 2011, o procurador Vítor Magalhães, para evitar o escândalo da prescrição, acusou Afonso Dias do rapto de Rui Pedro.
Fê-lo como quem lança barro à parede. Não colou. Durante o julgamento, a procuradora deixou no ar uma frase que prenunciava o pior: "Temos quase a certeza de que é culpado." Tanto dá ter quase a certeza como certeza nenhuma. Claro que Afonso Dias foi absolvido.
Tem toda a razão, foi mais um show off, como muitos outros para Português ver e alienar-se e para certos gerirem a sua imagem de marca!