É esperança que dura pouco: passam-se dias, semanas, meses - e, tirando umas citações da imprensa internacional, os nossos génios lá voltam para a pátria, de chapéu na mão, em busca do dinheiro público. Triste sina. E contraditória também: se os prémios que os nossos cineastas ganham têm algum significado real, isso devia traduzir-se em coisas mais tangíveis. Como, por exemplo, diversificação das fontes de investimento - aconteceu com qualquer grande ‘autor' da história do cinema.
Se, pelo contrário, os prémios significam pouco, ou nada, não se percebe a fanfarra em torno deles. E, já agora, a deslocada vaidade com que são usados para chantagear a caridade do Estado.
Metidos no prego, desconfio que os prémios do cinema português rendiam mais.
O pior é que esquecem que, cada vez que um "mendigo" como o João Salaviza faz sucesso lá fora, quem mais lucra com isso é o país, que ganha visibilidade com seu nome associado à genialidade de um filho seu, mesmo fazendo tão pouco por eles. Ou seja: não fazem nada, ganham destaque internacional e ainda reclamam quando são chamados à responsabilidade. Parabéns, João e todos os que teimam em existir, mesmo sob o sol da indiferença e de um oportunismo saloio.