– a GfK, que a faz desde Março;
– a CAEM, que a escolheu num controverso concurso sem explicações válidas;
– Eduardo Branco, da PT, presidente da CAEM;
– os grandes anunciantes da APAN, motor principal da CAEM e quem verdadeiramente manda nos preços da publicidade;
– a SIC, que se colou aos resultados por lhe serem favoráveis;
– O anterior presidente da CAEM, Luís Mergulhão, presidente da central de meios Omnicom;
– O marketing terrorista da agência de "comunicação" LPM, que tem em carteira o trio GfK, APAN e Omnicom. A LPM usou meios de desinformação para desacreditar as críticas à audimetria, como as minhas, do ‘Sol’ e dos telejornais da RTP.
Poupo os leitores aos pormenores técnicos do relatório, a que tive acesso, que arrepiam pela gravidade dos erros de base na selecção, construção e ponderação da amostra ou painel — só por si suficientes para invalidar a audimetria —, mas também erros de incompetência técnica, marteladas, trapalhices, incumprimentos, etc. Ao confirmar que mudou regras do caderno de encargos após o concurso, o Relatório pressupõe que a CAEM, em vez de proteger os operadores de TV, os anunciantes e as agências (os seus membros!), bem como os espectadores, colaborou com o monstro e criou a única instabilidade que o negócio de TV não pode suportar: a incerteza da medição de audiências, base da valorização da publicidade.
Como avisei, não é possível considerar os resultados da audimetria da GfK, publicados também na imprensa, como correspondendo à realidade da audiência de TV em Portugal (por isso não tenho escrito sobre audiências: os dados não são confiáveis).
Sobra um problema: como vai a CAEM descalçar a bota? Uma notícia oriunda da LPM mostra que a estratégia da hidra de sete cabeças será tentar que nenhum dos operadores rompa o contrato e que aceite a ficção até o grupo GfK-direcção da CAEM remendar o que é irremediável. Mas, sendo os erros de base na audimetria da GfK irresolúveis em muitos meses (e cada dia conta), isso significará que, tal como os resultados desde Março, os dos próximos meses também são para o lixo. Quer dizer: todo o mercado, bem como os espectadores, ficarão por um prazo intolerável sem audimetria fiável. A maioria dos operadores deseja verdade e estabilidade. Deixar-se-ão de novo vencer pela hidra? Aguardemos os próximos capítulos desta, sim, desta verdadeira telenovela televisiva.
A VER VAMOS
QUEREM VENDER O FUTEBOL À TV? BAIXEM OS PREÇOS
O concurso de transmissão dos jogos da 1ª Liga de futebol para a próxima época ficou deserto: nenhum operador generalista quis pagar o preço. Logo houve quem usasse o facto para não se privatizar um canal da RTP: se o mercado já não aguenta três... Ora esse argumento para o futuro não vale para o presente: são três, e nenhum quis pagar. Os preços de salários de jogadores, passes, comissões e transmissões são escandalosos. O mercado não gera dinheiro para pagar tantos milhões de negócios obscuros. Os preços estão acima da economia real, nomeadamente da da TV actual. As TV agiram bem, recusando os preços. Ainda veremos de novo os clubes do futebol querendo que sejam os contribuintes a pagar os negócios deles.
JÁ AGORA
O PODER DA TV, APESAR DE TUDO
A SIC apresentou como "exclusivo" a notícia sobre condições desumanas de trabalhadores na Covilhã. Passada uma hora, já no Facebook se denunciava o "exclusivo": a notícia saíra no ‘Jornal do Fundão’. As redes sociais são boas para desmascarar parolices de falsos "exclusivos". Mas no mesmo dia o assunto foi resolvido na Covilhã: a força da TV generalista ainda é grande.
Fazer sondagens ao gosto de clientes e de interesses variados é uma autêntica quadratura do círculo, e não é para qualquer um, sobretudo num país onde todos se enredam... Falar de independência é pregar aos peixinhos.