Brisa dos dias
Caos territorial
Portugal tem uma desgraçada tradição centralista de sobranceria dos poderes nacionais relativamente à capacidade de se tomarem decisões mais perto dos cidadãos. Somos o único país da Europa ocidental sem um nível intermédio de poder entre o Governo e os municípios, e os vários Ministérios tinham uma criatividade irresponsável na forma como distribuíam as suas antenas pelo território, cada um com o seu mapa, obviamente sem qualquer coordenação. Eram regiões, distritos, províncias, regiões militares ou zonas florestais e outros desenhos sempre com a suprema graça de quase nada se ajustar.
Por:Eduardo Cabrita (Deputado do PS)
Este desnorte centralista é um notório símbolo de desperdício, ineficiência e opacidade administrativa sempre esquecido pelos comentadores crónicos e nos diagnósticos troikistas.
Sócrates conseguiu no PRACE consagrar um consenso muito alargado em torno de uma organização territorial coerente baseada nas cinco regiões--plano que valem para Bruxelas – Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve. A irracionalidade ficou circunscrita à teimosia distrital das finanças ou da segurança social e a modelos exóticos nas águas e no turismo, mas a coordenação regional não passou da lei. O atual Governo, em vez de aprofundar os pontos de acordo, demonstra não ter pinga de pensamento estratégico em matéria de políticas territoriais e tem por inconsciência multiplicado o caos. O famoso livro verde omite escandalosamente a questão regional e malha nas pobres freguesias. Demagogicamente foram extintos os governos civis e o centralismo orgânico já levou para Lisboa decisões regionais nas áreas do ambiente, da economia, da saúde ou da educação.
A coordenação regional das políticas públicas é tema inexistente e o absurdo superou tudo com a Ministra da Justiça a recriar os anacrónicos distritos, mera realidade eleitoral e dos aparelhos partidários, como base das novas comarcas.
Provavelmente por acaso, já criticada por deputados do PSD, destaca-se a Secretária de Estado do Turismo que está a tentar dar coerência regional à organização do setor.
Sem sequer parar para pensar, impera o dividir para reinar.
Sr. Cabrita.Como é possível fazer análise da tragédia que abala o país, sem tirar as conclusões de tal estado. Não foi o sr. Socrates que levou o país à miséria e bancarrota? As consequências estão aí.Demagogo/oportunitu