País real
Descrença
A tão propalada crise está cada vez mais presente na vida dos portugueses, apesar dos paliativos que a nossa governação teima em subscrever para refrear a dita maleita, sem resultados à vista. Será que os portugueses não sabem o que é a crise ou quem nos governa está a ver outra realidade?
Por:Fernando Pinheiro, Presidente da Associação Empresarial de Ansião (AEDA)
Em termos particulares, todos assistimos diariamente à perda de direitos, com cortes sistemáticos, em aspectos que consideramos adquiridos em sociedade como o direito à saúde e à educação. Tudo isto surge num contexto em que se agrava o custo de vida, o emprego precário e o desemprego. Cada um de nós tem de ‘sobreviver’ e gerir o seu ‘orçamento’ com base nas receitas que tem, sem contar com aumentos, pagando as despesas certas e fixas do seu agregado familiar.
Na região de Ansião e Norte do distrito de Leiria, também se sente esta ‘crise’, com particular reflexo na construção civil e actividades conexas, comércio e têxtil, com a consequente redução de vendas e de trabalho de obras públicas e particulares. A descrença nos programas de apoio e incentivo (IAPMEI, MODCOM e os QREN), fruto das complicadas regras de acesso, tempo excessivo de resposta e pagamentos tardios, deixa muitas pequenas e médias empresas e empresários de fora.
Atente--se, por exemplo, ao caso do MODCOM, na sua última fase, e confirme-se qual o grau de candidaturas e aprovações para o Norte do distrito de Leiria. Num quadro deste género, como se poderá captar empreendedores para gerar novos empregos e empresas? Com todos estes (des)incentivos, como se pode criar riqueza e subir a produtividade? Porque será que os Portugueses, quando vão para o estrangeiro, são, em regra, considerados bons trabalhadores ou empresários?
No plano nacional, verificamos que o Orçamento do Estado é sempre o mesmo problema: não há entendimento, e a troco desta ou daquela medida negoceia-se uma versão mais ‘soft’, normalmente com algumas implicações práticas para os mesmos de sempre.
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