Mal por Mal
Cortar não basta
Este era o Governo mais "ideológico", o mais "liberal", da democracia portuguesa, diziam-nos.
Por:Luciano Amaral, Professor Universitário
Bastaram apenas setenta dias sobre a sua posse e já se percebeu que afinal a única ideologia que o alimenta é o medo da troika: "cumprir com o que a troika pede", é o seu lema. Talvez com medo das reguadas.
Às vezes diz que tem de "ir além da troika", mas é certamente porque muitas vezes fica aquém (e ainda bem).
O debate sobre se tem de se chegar lá "pelo lado da receita" ou "pelo lado da despesa" é errado.
Claro que vai ter de se chegar lá também pelo lado da despesa.
Mas ‘cortar, cortar, cortar’ não basta. ‘Cortar, cortar, cortar’ não é uma política. Pelo menos não é uma política digna do nome.
Somente cortar significa deteriorar o bem-estar de todos os que durante quarenta anos viveram da despesa pública em expansão.
Mais meritório seria que o Governo cortasse oferecendo maneiras alternativas de prestar serviços que ninguém dispensa, na Educação, na Saúde e nas pensões. Ou seja, que fosse capaz de reformar, efectivamente.
Assim como estão a ser feitas as coisas pouco passa de sadismo social.
Tem toda a razão. Cortar nas gorduras é abolir o supérfluo, não é o mesmo que amputar as penas e deixar o país manco! E insistem em deixar o país sem pernas para andar... com a desculpa da troika.