Mil palavras
Carta a Miguel Relvas
Prezado Miguel Relvas
Ouvi-lo por estes dias a falar de Comunicação Social traz memórias recentes que ninguém quereria recuperar.
Por:Octávio Ribeiro, Director
O tom abrasivo no exercício do poder, quando a área é Media, devolve tempos próximos de esplendor socratista.
Não duvido, caro Miguel, que essa colagem àquela pele de animal feroz, incapaz de conviver com a crítica ou sequer com uma pergunta livre, é involuntária. Resulta certamente da enorme pressão a que o sujeita toda a panóplia de dossiês por si carregados no empenho e generosidade política.
Mas, prezado Miguel Relvas, a área do direito à informação numa democracia é jardim sensível e desaconselha passeios de bulldozer.
Melhor está um elefante tonto numa loja de cristais do que um ministro demasiado próximo de decisões editoriais.
Não, não estou a dizer que é o seu caso. Mas parece. Até porque, caro Miguel, e voltando ao elefante, os cristais põem-se menos a jeito para tinir sobre patas do que certas virgens ofendidas para uso político de circunstância.
Deixemos as metáforas – a crise despoletada na RDP está a fazer cair uma Direcção livre, competente e merecedora de admiração. Talvez por isso mesmo deva cair? Não, não voltemos ao elefante. Ou, prezado Miguel, poderia alguém achar que, de metáfora em metáfora, acabaríamos por chegar a Luanda. Ainda a tactear liberdades e Imprensa.

POSITIVO: NUNO AMADO
O Santander Totta é o único grande banco do mercado português a apresentar lucros, um mérito da equipa liderada por este discreto banqueiro que agora vai liderar o BCP.
NEGATIVO: VASCO GRAÇA MOURA
Sim, somos um País de esses e marcha--atrás. Mas chegar a um cargo público para logo confundir nova missão com velha convicção é um pouco de mais. O Estado não é ele.
Quanto à intervenção de MR na imprensa, infelizmente ainda só estamos no começo. Quanto a VGM, tem toda razão. Não há palavras...no mínimo teve uma grande falta de senso!