A resposta política tem chegado sistematicamente tarde e a más horas, por culpa das hesitações e de algum egoísmo de vistas curtas da locomotiva da União, a Alemanha. Se as medidas tomadas a prestações após o resgate à Grécia, à Irlanda e a Portugal tivessem sido antecipadas, provavelmente nem a Espanha nem a Itália estariam hoje no centro do furacão. Os fundos de resgate não são suficientes para apagar o fogo do euro. Na verdade, só o Banco Central Europeu (BCE), liderado pelo italiano Mario Draghi, é que tem os meios suficientes para debelar esta crise.
Mas os estatutos do BCE impedem-no de resolver os problemas de financiamento dos Estados. Herdeiro da ortodoxia do Bundesbank, a autoridade do euro tem como missão assegurar a estabilidade dos preços e o equilíbrio do sistema financeiro. Por isso é que empresta aos bancos a 1%, que por sua vez já compram dívida espanhola a mais de 7%.
Enquanto a Reserva Federal tem o papel de prestamista de última instância do dólar e do Estado Federal, o BCE está proibido de usar todo o arsenal possível para defender o euro.