Notas ao Fim da Tarde
Valsa do Orçamento
Um instrumento só é indispensável se resolver problemas; se o não fizer é inútil, apenas finge que resolve.
Por:Ângelo Correia, Gestor
Há coisas que não se entendem. Desde há duas semanas, figuras relevantes da vida nacional clamam pela necessidade de aprovação do OE para 2011. Fazem-no com um vigor, e uma determinação, que nos convencem de que estão convencidos do que afirmam.
Para eles, é essencial que o País disponha desse instrumento essencial. Contudo, nada dizem sobre o seu conteúdo.
É como considerarem como fundamental um instrumento sem se perceber se ele é eficaz para os objectivos a que se destina. Para elas a sua existência é vital, mas o que ele contém é acessório ou ignorado.
Não entendo esta lógica. Um instrumento só é indispensável se resolver problemas; se o não fizer é inútil, apenas finge que resolve. Seria lógico que se discutisse o que se quer e como se quer.
Que se discutissem as prioridades nele contidas, nomeadamente na política fiscal, no montante das despesas públicas, na sua composição e redução.
Mas não; a discussão a que se propõem não é sobre o essencial, mas apenas sobre a existência de um consenso político obrigatório para a sua concretização!
Para eles o que é preciso é dispor de um orçamento, seja ele qual for.
Estão convencidos de que basta a consideração da sua existência para acalmar os mercados e entidades financeiras internacionais, bem como as autoridades comunitárias.
Puro engano: o que todos estes pretendem é a qualidade e objectivos explícitos no orçamento. Se não se fizerem propostas de acordo com aquilo que todas aquelas instâncias requerem, então o orçamento nada contribuiu para o enquadramento internacional de que carecemos.
Há ainda uma questão política a tentar perceber; se aquelas figuras reclamam a existência para 2011 de um consenso orçamental, ou seja praticamente a obrigação do PSD em não o vetar, então a lógica com toda a probabilidade manter-se-á para 2012 e 2013.
Por outras palavras, o PSD estará sempre condicionado a nunca vetar a proposta orçamental do PS.
As insignes figuras em vez de apenas reclamarem um orçamento aprovado, em vez de requererem um bom orçamento, apenas olham para um lado da realidade, esquecendo o outro. Na prática o que fazem – talvez não conscientemente – é condicionarem o PSD e a sua liderança.
Será isto que pretendem?
Muito bem. O PSD não pode ceder a este governo Socialista, já que os seus membros são peritos em lançar para os media as maiores mentiras e fazer delas toda a "verdade". Portugueses abram os olhos.