Obstinado cantável
A sublime inquietação
A síntese, perfeita, chega logo de início: "Diz quem meu Fado conhece / Que ele enfeitiça e encanta / E comove e tira o sono / É paixão que entretece / Os fios de quem o canta / Porque o meu Fado tem dono."
Por:João Gobern, jornalista
Se os versos são de Maria do Rosário Pedreira, a atitude é de Aldina Duarte, que continua a usar a voz para remar contra a corrente. Ao quarto capítulo, o esplendoroso ‘Contos de Fados’ desimpede o caminho até histórias populares, desafia poemas feitos por medida, desfia inquietações e esperanças, combates e valores, figuras e episódios. Nunca chegou tão longe: não há um pingo de ‘gordura’ na voz, não há uma cedência nos arranjos, não há uma palavra que possa ser substituída sem desvantagem. Querem um manifesto, cuidado e sensível, para explicar o Fado todo? Está aqui, de corpo inteiro.