Estado das coisas
A queda de um "mito"
Como dizia Fernando Pessoa, "o mito é o nada que é tudo". E o que tem a ver a queda do mito com João Goulão, ex--presidente do defunto Instituto da Droga e Toxicodependência (IDT)? Tudo e nada. Não gosto de falar de pessoas, de fulanizar as questões que pertencem ao território das ideias e das opiniões, da controvérsia e do respeito pelo pensamento contrário.
Por:Rui Rangel, Juiz desembargador
No contraditório, no debate de causas e de valores, é que nasce a luz, respeitando sempre a diversidade intelectual. Só gente cobarde e menor, como o nosso Goulão, recorre ao insulto suez, ofende a honra e a consideração do outro, só porque pensa de maneira diferente. Foi o que fez este homem de fácies rude, cometendo um crime de injúria e de difamação contra mim e contra o Prof. Manuel Pinto Coelho.
Lombroso, teórico responsável por definir o perfil do criminoso, se observasse os caracteres físicos de Goulão, talvez concluísse que o seu fácies apresenta traços fisionómicos de um potencial criminoso. Foi como se comportou, no seu artigo publicado no jornal Correio da Manhã – o jornal que acolhe, com carinho, há mais cinco anos, os meus artigos de opinião. Como é bom escrever neste jornal de grandeza democrática. Se Goulão fosse o seu director seguramente que ninguém que ousasse pensar diferente, aí escreveria.
Tenho pena que Goulão não tivesse aproveitado o espaço no jornal para rebater, com elevação, os meus argumentos sobre o uso da metadona sem critério e sem humanização, numa política de redução de danos, tendo como farol a recuperação do toxicodependente. Tenho pena que não tivesse adoptado uma orientação, à frente do IDT, que desse força, coesão e dignidade às Comunidades Terapêuticas, as verdadeiras obreiras na humanização da recuperação e que as estrangulasse financeiramente. Quem dissesse "ámen" às políticas do IDT, de forma cega e acrítica, tinha o reino dos céus, cujo "Senhor" era Goulão. Mas Goulão não é o IDT, nem se confunde com este. Muitos técnicos que por lá passaram merecem todo o respeito, porque fizeram um trabalho exemplar. O IDT também fez coisas muito positivas e estes técnicos não precisaram de favores políticos ou de compadrios partidários para ocupar cargos. A competência impôs-se naturalmente. Deve reconhecer-se o mérito dos outros. Sei do que falo. Sou juiz há cerca de trinta anos e durante este percurso de vida passaram-me pelas mãos centenas de toxicodependentes.
O que vale a pena é aproveitar este momento para se saber o que fez durante estes cincos últimos anos o IDT. Bom tempo para o debate e para inverter muitas coisas que estão erradas, na política da droga, em Portugal.
O "mito" Goulão é o nada de Pessoa que pensa que é tudo e que pode tudo.
Lombroso morreu há mais de um século e as suas teorias já foram ultrapassadas, mas poderemos de forma lúdica aplicá-las ao Sr.:olhos pequenos, lábios finos e cara redonda= mesquinho, intriguista e preguiçoso.