Sem Rodeios
A Maçonaria
A cerca da Maçonaria, há pelo menos três questões que surpreendem qualquer cidadão. A primeira advém do secretismo da organização. Estamos em pleno século XXI, no tempo da internet, das redes sociais e da informação instantânea. Vivemos na era da democratização do acesso ao conhecimento e no tempo da transparência. E fazemos parte de um país que há mais de trinta anos vive em liberdade e em democracia. Neste quadro de referências, alguém percebe uma organização que existe, funciona e age de modo secreto? No tempo da ditadura, ainda se compreenderia. Em democracia, desconfia-se.
Por:Luís Marques Mendes, Ex-Líder do PSD
A segunda surpresa tem a ver com os ideais e as convicções. Basta comparar alguns nomes que integravam a Maçonaria há 3 ou 4 décadas com figuras emergentes nas lojas maçónicas nos últimos anos para se perceber que há diferenças assinaláveis. Antes, ser-se maçon parecia representar a adesão a uma cultura de valores, de princípios e ideais; hoje, aderir à Maçonaria parece ser visto como um instrumento para alcançar poder, para traficar informação e para fazer negócios. Claro que haverá sempre honrosas excepções. Mas o contraste é flagrante.
A terceira surpresa diz respeito aos políticos. Aqui não há grandes dúvidas. Um político que não revela a sua condição de maçon, que a esconde atrás do biombo da vida privada ou que se refugia em meias verdades é, aos olhos dos cidadãos, um político de quem se desconfia. Porque é que um político exibe a transparência na lapela e a nega quando é inquirido sobre a Maçonaria? Porque é que um político apregoa o escrutínio democrático e o recusa quando é interpelado sobre a sua filiação maçónica? E que dizer da honestidade intelectual de um político que garante que a sua vida é um poço de clareza para logo a seguir fugir a esclarecer a sua condição de maçon? Sei que a generalidade dos políticos se preocupa apenas com a verdade necessária ou conveniente. Mas há sinais dos tempos que deveriam perceber: primeiro, que quem tem convicções não tem medo de as assumir; depois, que quem gosta da democracia abomina a opacidade; finalmente, que a credibilidade não está tanto nos discursos que se fazem mas sobretudo nos exemplos que se dão. Os cidadãos não são parvos.
A Maçonaria e a Opus Dei são equilibristas secretos nas malhas da moral e da política. A liberdade e a constituição não os proíbem, mas sim o aproveitamento político e económico das situações em que dominam...