Inicialmente a administração da justiça incumbia ao rei, que nomeava os juízes e, por isso, estes ficavam na sua dependência.
Muitas das críticas que são dirigidas ao poder judicial visam o regresso a essa dependência, agora não do rei, mas dos poderes políticos, económicos e sociais instalados.
Veja-se como exemplo as críticas à decisão do Tribunal Constitucional relativa aos cortes dos subsídios de férias e de Natal. O que incomoda esses críticos é a existência de juízes independentes, isentos, imparciais, que decidem em obediência à lei, que é igual para todos e que está acima de interesses contingentes seja de quem for. O que interessaria àqueles poderes era que os juízes fossem subservientes, inócuos, não incomodativos, tal qual como eram no tempo do rei.
Em plena época de crise económica e de valores, os Tribunais parecem ser o único baluarte dos princípios fundamentais do Estado de Direito Democrático.
Já duvido de tudo e não acredito em nada. Vamos ver se continuo no próximo ano sem subsídios de férias e Natal, gozando inclusivamente com a nossa incapacidade reivindicativa e idade. Até fui proibido de trabalhar...