Açores
Ilhéus das Formigas podem ter seis milhões de anos
Os Ilhéus das Formigas, nos Açores, podem ser mais antigos do que se estima actualmente, o que revelaria uma taxa de crescimento das ilhas "acentuadamente diferente", com reflexos nas previsões da actividade sísmica e vulcânica, admitiu esta segunda-feira um especialista.
Victor Hugo Forjaz, do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), salientou à Lusa que os ilhéus, situados entre Santa Maria e S. Miguel, poderão ter "possivelmente seis milhões de anos", acrescentando que a datação vai ser reavaliada através de amostras recolhidas em Julho.
"Há 35 anos, um geólogo inglês atribuiu às Formigas uma idade na ordem dos 4,8 milhões de anos, mas é possível que esta idade seja um pouco mais antiga", afirmou o vulcanólogo, acrescentando que "o facto de terem supostamente seis milhões de anos poderá querer dizer que a taxa de crescimento das ilhas é acentuadamente diferente, o que é importante para o conhecimento da actividade vulcânica e sísmica".
Nesse sentido, frisou que "as idades das rochas dos Açores são importantes para o conhecimento da previsão de actividade vulcânica, bem como da taxa de movimento dos Açores em direcção ao continente europeu".
Os Ilhéus das Formigas estão localizados a 37 quilómetros a nordeste de Santa Maria e a 63 quilómetros a sudeste de S. Miguel, tendo sido os primeiros rochedos emersos do arquipélago a ser avistados pelos navegadores portugueses, em 1431. Os oito ilhéus estendem-se por 165 metros de comprimento e 80 de largura, elevando-se o mais alto, denominado Formigão, apenas a 11 metros acima do nível do mar.
As águas em redor das Formigas são de grande importância ecológica devido à diversidade de vida marinha que albergam, mas também por serem um local de reprodução e alimentação para muitas espécies, incluindo tubarões, tartarugas e cetáceos.