Oftalmologista garante em tribunal
“Não foi o Avastin que foi injectado"
O oftalmologista Joaquim Canelas, do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, afirmou ontem em tribunal “não ter sido o Avastin” (bevacizumab) o medicamento injectado nos olhos dos seis doentes que cegaram.
Por:Cristina Serra
Na segunda sessão de julgamento, que decorre nas Varas Criminais, no Campus da Justiça, Joaquim Canelas baseou-se no resultado de análises feitas ao soro sanguíneo dos doentes, que revelaram valores muito elevados de um certo componente do sangue.
"Se tivesse sido injectado o Avastin, que ficaria cerca de três semanas no sangue, os doentes apresentavam valores baixos e não os extremamente elevados que revelaram", afirmou Joaquim Canelas.
O resultado de análises ao sangue dos doentes, enviadas para um laboratório na Holanda, e remetido posteriormente para a Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), revelam que "há vestígios" do Avastin, segundo apurou o CM junto de fonte ligada ao processo, uma tese que poderá deitar por terra as convicções do oftalmologista Joaquim Canelas.
O médico disse ainda acreditar não ter havido uma contaminação microbiológica ao produto, uma ideia defendida pela defesa dos arguidos - o farmacêutico Hugo Dourado e a técnica de farmácia Sónia Baptista - porque na mesma manhã foram tratados doze doentes, seis com o Avastin e os restantes com o medicamento Lucentis.A oftalmologista Belmira Beltran, que também injectou alguns dos doentes no dia 17 de Julho de 2009, admitiu a possibilidade de ter ocorrido "uma contaminação bacteriológica" do produto. "Nunca vi nem nenhum dos meus colegas viram doentes terem ficado sem percepção luminosa 48 horas após a injecção, é uma situação gravíssima que não poderá ter sido causada por uma bactéria ainda não conhecida", afirmou a médica.
A arguida Sónia Baptista, técnica de farmácia, afirmou "ter a certeza" que preparou o Avastin e referiu não haver supervisão na unidade. "Quando tínhamos dúvidas perguntávamos à coordenadora", afirmou a técnica.
Três doentes - Walter Lago Bom, Maria Antónia Martins e Maria José Marques - também foram ouvidos pelo colectivo de juízes, tendo contado que sentiram "dores terríveis" poucas horas após a administração das injecções, o que os levaram à urgência do Hospital de Santa Maria.
Também não foi o coordenador da unidade de gastrenterologia do Hospital Cuf Descobertas que me furou o intestino num check-up, violando todas as regras básicas. A má prática está no relatório.Então quem foi que furou ???