Lagoa: Internados no Hospital dos Capuchos com prognóstico reservado
Mais 4 doentes em risco de cegar
Quatro pessoas correm o risco de ficar cegas, após terem sido operadas aos olhos na clínica I-Qmed, em Lagoa, no Algarve.
Por:André Pereira/J.M.G./I.R.
As cirurgias decorreram no final de Julho. Os doentes têm uma infecção intra-ocular e estão internados neste momento no Hospital dos Capuchos, em Lisboa, com um prognóstico muito reservado. A Inspecção--Geral das Actividades em Saúde já está a investigar e foi dada ordem à clínica para suspender a sua actividade. Esta situação ocorre um ano após o caso das seis pessoas que cegaram no Hospital de Santa Maria.
Dos quatro doentes, uma mulher de 35 anos corre o risco de ficar cega dos dois olhos, após uma cirurgia para colocar lentes intra--oculares de correcção de miopia. As restantes pessoas, com idades entre os 65 e 88 anos, podem perder a visão de um olho, consequência de operações às cataratas. Todas as intervenções cirúrgicas foram realizadas no dia 20 de Julho, na clínica I-Qmed. Três dos doentes são do Algarve e um é de Beja.
A mulher de 35 anos deu entrada no Hospital de São José a 22 de Julho. Os outros três chegaram no dia 26, com os mesmos sintomas. O director clínico do hospital alertou as autoridades pela coincidência do local e a data das cirurgias realizadas.
'Os quatro doentes foram internados no serviço de oftalmologia de São José, com endoftalmite considerada grave. O prognóstico é muito reservado', explicou ao CM Francisco Mendonça, delegado de saúde regional do Algarve. No dia 27 de Julho, acrescentou, a Direcção-Geral da Saúde notificou os serviços para aplicar a medida cautelar de suspender a actividade da clínica. 'Quando fomos à clínica, já se encontrava encerrada desde o dia 23 para a realização de obras', referiu.
Contactado pelo CM, Florindo Esperancinha, presidente do colégio de Oftalmologia da Ordem dos Médicos, explicou que uma 'endoftalmite é a situação mais grave que um oftalmologista pode encontrar'. 'Trata-se de uma infecção intra-ocular, provocada por uma bactéria, que pode resultar na perda total de visão', afirmou.
FARMACÊUTICO E TÉCNICA ACUSADOS EM SANTA MARIA
Uma troca de medicamento na farmácia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, transformou para sempre a vida a seis pessoas que tentavam tratar um problema oftalmológico, a 17 de Julho do ano passado. Um dos doentes, Walter Lago Bom, 47 anos, cozinheiro de hotelaria e único sustento da sua família, cegou dos dois olhos. O hospital pagou-lhe uma indemnização de 246 mil euros. O Ministério Público acusou um farmacêutico e uma técnica de farmácia e diagnóstico como autores de seis crimes de ofensa à integridade física grave.
Estamos a ter a mais cabal demonstração do exercício da medicina privada entre nós - sem rei nem roque, já que pouco ou nada é exercido em fiscalização sobre estes "lupanares". Isto não invalida que se investigue.