jornal impresso

Edição impressa

30 Julho 2014

Ver capas anteriores

Previsões
  • Diretor: Octávio Ribeiro
  • Diretores-adjuntos: Armando Esteves Pereira, Eduardo Dâmaso e Carlos Rodrigues
Toby Melville/Reuters

O transplante de medula pode ser uma das alternativas

Leucemia Mielóide crónica: 150 novos casos todos os anos em Portugal

Exames de rotina detectam leucemia

De progressão lenta, a Leucemia Mielóide Crónica (LMC) representa cerca de 20% de todas as leucemias. Com uma incidência de 1,5 casos para 100 mil habitantes por ano (150 novos casos/ano), esta doença atinge com maior frequência os adultos, sendo mais comum nos homens.

  • 12 de Fevereiro 2012, 01h00
  • Nº de votos (1)
  • Comentários (0)

Por:Joana Nogueira

 

"A LMC resulta de uma alteração do ADN de uma célula estaminal medular a determinado momento da vida de um paciente, dando origem a um aumento de glóbulos brancos, que só é detectado em análises de rotina. Embora não sejam conhecidas as razões que levam a essa mutação, sabe-se que a radioterapia e a exposição ao benzeno são factores de risco", explica a hematologista Ana Marques Pereira.

Numa fase inicial (crónica), a LMC pode não apresentar sintomas, razão pela qual o diagnóstico tende a ser feito de forma tardia. Neste caso, as análises de rotina ao sangue são fundamentais, uma vez que detectam o aumento dos glóbulos brancos. No entanto, existem sinais de alerta que vale a pena ter em atenção.

"Esta doença pode causar algum mal-estar, cansaço, levar à perda de apetite ou a um desconforto abdominal. Mas, na maioria das vezes, a sintomatologia é provocada pela terapêutica", revela a ex-chefe de serviço de Hematologia do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Actualmente, a evolução da LMC pode ser evitada com recurso a remédios e não apenas com o transplante de medula, como era regra até há pouco tempo. "Inicialmente, a terapêutica limitava-se a reduzir o número de glóbulos brancos, mas não interferia no controlo da doença. Actualmente, existem os inibidores de tirosina cinase que têm acção a nível molecular, isto é, inibem a produção de um oncogene - o BCR-ABL - que leva ao desencadeamento da doença maligna", explica Ana Marques Pereira. A clínica refere que hoje em dia os médicos conseguem interferir na doença, mas não há garantias de que parando a toma da medicação "a doença não volte a aparecer".

"REGISTO ONCOLÓGICO ATRASADO": Ana Marques Pereira Hematologista

Correio da Manhã - Quantos doentes com LMC há em Portugal?

Ana Marques Pereira - Deve haver uns milhares de doentes em Portugal. É difícil dizer quantos são, porque o registo oncológico está muito atrasado e há hospitais que nem fazem esses registos.

- Como é feito o controlo da doença?

- O doente tem de fazer vários exames, tais como o mielograma, um cariótipo e estudos moleculares da medula e do sangue. Depois, passam a ser periódicos, primeiro semanais e depois mensais, como é o caso do Hemograma e do exame ao oncogene BCR-ABL.

- Qual a taxa de mortalidade?

- Com as novas terapêuticas não há grande mortalidade. Mas, como são muito recentes, ainda não foi possível avaliar a sobrevida dos doentes.

"ACHAVA QUE ERA APENAS CANSAÇO"

Alexandre Rodrigues nunca pensou que o cansaço que o seu corpo denunciava há já algum tempo fosse, na verdade, um dos sintomas da Leucemia Mielóide Crónica (LMC).

"Deixei arrastar a situação até quase não conseguir caminhar. Achava que era apenas cansaço, stress, mas os sintomas intensificaram-se de tal forma que um dia não consegui levantar-me da cama com dores de cabeça", revela. Já no Hospital de São Teotónio, em Viseu, cidade onde tinha decidido passar umas miniférias para recuperar forças, levou transfusões de sangue devido aos níveis muito baixos de hemoglobina. As análises ao sangue acabaram por confirmar que se tratava de leucemia.

"Pensei: bolas, vou morrer e sou tão novo. O médico disse--me que tinha de fazer quimioterapia e eu decidi que era tempo de cuidar de mim."

Já no Hospital Garcia de Orta, em Almada, Alexandre iniciou todo o processo de quimioterapia, que iria culminar no transplante de medula. No entanto, uma infecção hepática levou-o a suspender o tratamento e a iniciar a medicação específica para a LMC. "Comecei logo a sentir-me melhor. Cerca de quatro meses depois, a doença apresentou valores muito baixos nos exames que fiz. Ainda me inscrevi na base de dados para transplante de medula, mas, como estou em remissão há sete anos, essa possibilidade já não se coloca", confessa, acrescentando que hoje tem uma vida normal.

PERFIL

Alexandre Rodrigues tem 37 anos, vive no Seixal e é director criativo. O desgaste da profissão fê-lo descurar os sintomas da LMC. O que parecia ser cansaço fez com que um dia não se conseguisse levantar, devido às dores de cabeça.

  • Corrigir
  • Feedback
  • PARTILHAR      
Pub
Comentários a esta notícia
COMENTAR
Título
Texto

Nota: Os comentários deste site são publicados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar os comentários abusivos e com linguagem inadequada.

Aparecer como anónimo - Ao escolher opção os seus dados (nome e e-mail) serão ocultados.

Registe-se no site do CM para deixar de preencher os seus dados pessoais quando comenta as noticias.
COMENTAR
Título
Texto
Nome
Email
Localidade
Anónimo

Nota: Os comentários deste site são publicados são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar os comentários abusivos e com linguagem inadequada.

Aparecer como anónimo - Ao escolher opção os seus dados (nome e e-mail) serão ocultados.

Pub
Pub


SONDAGEM

BENFICA: Nico Gaitán faz falta ao plantel?

Votar »« Ver resultados


<>
VEJA AQUI MAPA ACTUALIZADO
Copyright © 2011. Todos os direitos reservados. É expressamente proíbida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte,
sem prévia permissão por escrito da Presslivre, S.A. ,
uma empresa Cofina Media - Grupo Cofina.
Consulte as condições legais de utilização.