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24 Maio 2012

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Ricardo Almeida

As intervenções são muito complexas e exigem uma elevada diferenciação da equipa médica e das unidades de saúde

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Órgãos: Hospitais da Universidade de Coimbra lideram nos transplantes

Centro é a região do Mundo com mais dadores

Portugal foi um dos países do Mundo onde se realizaram mais colheitas de órgãos em 2010, voltando a ultrapassar a barreira dos 30 dadores por um milhão de habitantes. De acordo com o relatório anual da Autoridade para os Serviços de Sangue e Transplantação, foram colhidos 926 órgãos nos hospitais portugueses.

Por:Gonçalo Silva

 

 

Os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) são uma das unidades mais activas na área da transplantação. "Em 2010 fomos um dos hospitais que mais transplantes fez no País. Temos 162 transplantes de rim, 28 de coração, 155 de córnea, 151 de osso, 53 de fígado e 27 de medula. Fomos quem mais transplantou a nível nacional em rim, coração e osso. Por exemplo, a nível da transplantação cardíaca, só a equipa do professor Manuel Antunes transplantou mais do que as outras três unidades nacionais juntas", explicou Fernando Regateiro, presidente dos HUC.

Os dadores portugueses são cada vez mais velhos: em 2010, 34 por cento tinham mais de 60 anos. Ainda assim, no Centro do País os números agradam ao responsável. "É a região do Mundo onde há mais dadores. Ultrapassou a média de Espanha, com 37,8 dadores por um milhão de habitantes em 2010". "Os HUC são a unidade que mais órgãos transplanta em Portugal. São uma escola. Têm uma cultura de transplantação. Um hospital que possa fazer transplantação pode fazer tudo", salienta Fernando Regateiro.

"Em qualquer dos casos de transplantação, estamos a falar de intervenções muito complexas, que exigem elevada diferenciação, muita dedicação e qualidade técnica. Há uma série de apoios e colaborações de outros serviços e especialidades. Quando falamos de transplantação estamos a falar de técnicas de altíssima diferenciação que exigem um hospital altamente qualificado", explica o director dos HUC, adiantando que "todo o processo é de tal modo exigente que envolve grande parte do hospital, com um grau de exigência e prontidão que não é compatível com improvisos".

A lista de espera para estas intervenções tem vindo a diminuir, mas não de forma uniforme. "Depende das colheitas. Os nossos serviços têm triagem de prioridades. Pode haver doentes com anos e anos de espera. Há grupos de histocompatibilidade rara e por vezes é difícil encontrar dadores", acrescenta.

DISCURSO DIRECTO

"FURTADO ESTÁ A COLABORAR", Fernando Regateiro, presidente dos HUC

Correio da Manhã – Emanuel Furtado (único médico com conhecimento para realizar transplantes de fígado em crianças) saiu dos HUC. Continua a colaborar com os serviços?

Fernando Regateiro – Continua, nomeadamente em situações de urgência.

– O serviço ficou afectado com a saída?

– Continuamos a dar resposta às situações que surgem. Estamos a construir condições para que o programa de transplantação hepática continue em Coimbra, a trabalhar como sempre trabalhou. O Dr. Emanuel Furtado continua a fazer as situações urgentes e estamos em diálogo para encontrarmos o melhor enquadramento para ele continuar. Estamos também a construir uma resposta a partir de outros profissionais.

– A ‘escola’ poderá estar perdida?

– De maneira alguma. Temos uma cultura de transplantação que não queremos perder.

O MEU CASO: VÍTOR ALEXANDRE

"VÍTOR É UMA CRIANÇA NORMAL"

Vítor Alexandre submeteu-se a um transplante do fígado quando tinha apenas sete meses. Uma intervenção realizada em Coimbra, pela equipa do médico Emanuel Furtado, em 2004. "Foi um processo muito complexo. Inicialmente, o meu filho foi assistido no Porto e ninguém sabia o que o Alexandre tinha. Foi detectado o problema e estávamos para ir para Bruxelas ou Paris, quando um médico francês nos disse que o Dr. Emanuel Furtado era um dos melhores especialistas do Mundo. Em Coimbra, era a mãe quem ia doar fígado, mas à última hora apareceu um dador compatível que deu a vida ao meu filho e a outra pessoa adulta", explica Vítor Raimundo Martins, pai da criança.

Actualmente com seis anos, Vítor leva uma vida normal. "Está estabilizado e saudável. É uma criança normal. A brincar com outras crianças ninguém nota qualquer diferença", explica o pai. "A fase mais complicada são os primeiros dias após o transplante".

A história de Vítor Alexandre acabou por resultar num livro – ‘Lutar Até Viver’ –, escrito pelo pai. Vítor Raimundo Martins integrou também a direcção da Hepaturix, que representa os interesses de crianças e jovens com doenças hepáticas crónicas. "Em Portugal há nove crianças em lista de espera e outras nove para serem indicadas. Como são intervencionados apenas os casos urgentes, mal o programa de transplantação hepática entre em funcionamento, serão 18", explica.

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Comentários a esta notícia
  • Comentário feito por: Anónimo
  • 26 Junho 2011

Com tanta gente a matar-se em acidentes, nao fico surpreendido.

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 26 Junho 2011

Com tanta gente a matar-se em acidentes, nao fico surpreendido.

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 26 Junho 2011

Com tanta gente a matar-se em acidentes, nao fico surpreendido.

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 26 Junho 2011

Com tanta gente a matar-se em acidentes, nao fico surpreendido.

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