Assinala-se hoje o Dia Mundial do Rim
800 mil sofrem de doença renal
Estima-se em 800 mil o número de pessoas que sofre de doença renal crónica em Portugal. Segundo, Fernando Nolasco, presidente da Sociedade Portuguesa de Nefrologia (SPN), o nosso país tem uma das taxas mais elevadas de doentes renais no mundo desenvolvido, com mais de 16 mil doentes em diálise. Cerca de dois mil estão em lista de espera para transplante.
Por:Sónia Trigueirão
"Muitas vezes, a progressão da doença é silenciosa, isto é, sem grandes sintomas, o que leva o doente a recorrer ao médico tardiamente, já sem possibilidade de recuperação", alerta o especialista acrescentando que na fase mais avançada da evolução da doença "surge o esgotamento total das funções renais, que terão de passar a ser substituídas pela diálise ou por um transplante".
É por isso, acrescenta Fernando Nolasco, que "todos os anos surgem mais de dois mil novos casos de doentes em falência renal e a necessitar de diálise, ou, nos casos em que isso é possível, de serem transplantados".
O médico sublinha ainda o facto de existirem inúmeras doenças dos rins, algumas específicas destes órgãos e outras que aparecem no encadeamento de diversas doenças, como a diabetes ou a hipertensão.
"A principal consequência das doenças dos rins é, evidentemente, a insuficiência renal, situação extremamente grave, porque provoca uma deficiente depuração do sangue e a retenção no organismo de resíduos tóxicos, cuja acumulação pode provocar graves problemas no metabolismo", explica.
De salientar ainda que as pessoas com doença renal crónica apresentam um risco bastante elevado de desenvolverem doenças cardíacas ou de virem a sofrer enfarte. Existem ainda os casos em que é um processo inflamatório que origina uma insuficiência renal apenas por um curto período de tempo.
Visando a sensibilização da população para a prevenção, diagnóstico e tratamento das doenças renais, a Sociedade Portuguesa de Nefrologia promove hoje, Dia Mundial do Rim, várias sessões de esclarecimento sobre a saúde dos rins.
TRANSPLANTADA AOS 33 ANOS
Maria Adelaide Torres começou a ser seguida nas consultas de Nefrologia aos 25 anos. Aos 33, iniciou os tratamentos de hemodiálise. Três anos mais tarde, fez um transplante de rins. "Não foi fácil viver assim, especialmente porque tinha de fazer hemodiálise três vezes por dia, durante quatro horas. Vivia dependente de uma máquina", conta. Sentia-se cansada e tinha dores musculares. Foi assim até ao transplante. Hoje, com 47 anos, continua a vigiar a sua saúde.
"PENSAVA QUE ERA UMA ALERGIA"
Elisabete Pires estava na faculdade a estudar Biologia e tinha 25 anos quando se começou a sentir muito inchada. "Não dobrava bem os joelhos e tinha os olhos inchados. Pensei que era uma alergia", conta a bióloga de Lisboa. Foi então que decidiu fazer análises, tendo sido detectado o problema: passou a ser uma doente renal crónica. Fez cinco anos de terapia intensiva, engordou devido à cortisona e perdeu o cabelo por causa da quimioterapia, mas acabou por se curar. Hoje, aos 39 anos, faz exames de rotina e recuperou a sua saúde.
NÃO TÊM NADA A VER COM ALIMENTAÇÃO, SOU DOENTE CRÓNICA RENAL HA 22 ANOS E SEI BEM DO QUE FALO. MAS A FALTA DE AGUA É UM DOS PRINCIPAIS MOTIVOS PARA SER DOENTE RENAL, ISSO É UMA VERDADE.