"O que ficou foi um ou outro objecto que deixaram cair na fuga. De resto, limparam completamente a ourivesaria." As palavras são de Luís Cunha, o dono da ourivesaria Cunha e Vale, no centro da cidade de Esposende, que, na madrugada de ontem, pelas 4h20, foi alvo de um roubo que as autoridades classificam como "profissional" e que rendeu pelo menos 300 mil euros.
A loja fica na rua 1º de Dezembro, junto à Câmara Municipal, mas as montras e a porta de entrada permanecem intactas. Os assaltantes, mais do que um, segundo a GNR, concretizaram um plano que, por certo, tinham elaborado meticulosamente.
Começaram por transpor um portão que dá acesso a um beco que percorre as traseiras do edifício, de onde, com recurso a uma escada, subiram a um patamar que fica ao nível do primeiro andar. Aí, rebentaram uma janela e entraram num escritório que actualmente se encontra vazio.
No interior do edifício, partiram duas portas: a que dá do escritório para um hall e a que se abre para as escadas. No rés-do-chão, mesmo ao fundo das referidas escadas, fizeram um buraco na parede e entraram na ourivesaria.
Ao que o CM apurou, o alarme só foi accionado quando os ladrões partiram as montras junto à entrada, o que lhes deu tempo para recolherem todas as peças que se encontravam nos vários mostruários que existem um pouco por toda a área da loja.
"Quem fez isto conhecia muito bem a loja, o edifício e todo o quarteirão", disse ao CM Arlindo Silva. Para aquele comerciante, "tratou--se de um roubo muito bem planeado e executado na perfeição".
O proprietário da loja confirmou que o valor do roubo "deve rondar os 300 mil euros", mas não quis prestar muitas declarações, confessando-se "bastante abalado", até porque não tinha seguro, atendendo às dificuldades que hoje os negociantes têm em encontrar uma seguradora que aceite fazer seguros a ourivesarias.
Como a loja não tinha sistema de videovigilância, a GNR limitou-se ao trabalho pericial, ao nível das impressões digitais e outras marcas deixadas pelos ladrões. Aliás, foi pelas pegadas marcadas no piso da loja e nas escadas, que os militares concluíram que o roubo foi levado a cabo por vários assaltantes. A investigação continua.
PAREDE PARTIDA COM FERRO
O buraco, ao fundo das escadas do prédio, por onde os ladrões acederam à ourivesaria, terá sido feito com um ferro, tipo pé-de-cabra.
Trata-se de uma parede de pouca espessura, feita com o chamado "tijolo de sete", pelo que não terá sido muito difícil parti-la. Aliás, os assaltantes fizeram uma primeira tentativa três metros ao lado, mas optaram depois por aquele lugar, onde a resistência terá sido menor.
Na peritagem ao local, a GNR apreendeu um par de luvas, o ferro tipo pé-de-cabra, uma meia de vidro e uma lanterna.
"Se eles tivessem usado outras ferramentas mais pesadas, tipo marretas, tê-las-iam certamente deixado, porque tinham o material roubado para levar e, na altura da fuga, o alarme já estava a tocar", disse ao Correio da Manhã fonte ligada à investigação.
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