Sintra: Amigos e vizinhos em choque e sem explicação para homicídio
Presa por afogar filho de dois anos
Acusou cinco encapuzados de terem morto o filho numa ribeira, mas ao fim de dois dias de intenso interrogatório, Sandra Monteiro foi presa. Saiu ontem, às 19h20, do Tribunal de Sintra directamente para o Estabelecimento Prisional de Tires, onde vai aguardar julgamento em prisão preventiva, acusada pela morte do próprio filho, Tiago Monteiro, de dois anos.
Por:Lurdes Mateus
Às autoridades, Sandra, 24 anos, terá confessado o crime, dizendo que estava cansada da vida e com um filho pequeno para criar, faltava-lhe tempo só para ela.
A mãe de Tiago estaria a viver há algum tempo com uma depressão e queria suicidar-se. Na noite de segunda-feira, depois de ter ido à casa da mãe buscar o filho e ao passar pela ponte do parque da Serra das Minas, Rio de Mouro – caminho que fazia todos os dias para ir para casa –, Sandra desceu as margens da ribeira e afogou Tiago. Mas a seguir, faltou-lhe a coragem e não se matou.
Durante todo o dia de terça-feira, Sandra esteve a ser interrogada pela Judiciária. Ao fim de longas horas de interrogatório, o seu depoimento começou por apresentar contradições e por fim cedeu. Presente ontem ao Tribunal de Sintra, onde esteve durante todo o dia a ser interrogada por um juiz, saiu para a cadeia de Tires.
Ao confessar o crime, Sandra deixou cair por terra a versão que tinha contado à família e às autoridades. Uma versão que falava em cinco encapuzados, que lhe terão arrancado a criança dos braços, dizendo que era "um recado para o pai do bebé", levantando assim a hipótese de um ajuste de contas, que teria como destinatário Sidney Fernandes, pai de Tiago.
A investigação da PJ depressa descartou a teoria de um ajuste de contas. O facto de o corpo do bebé não apresentar arranhões nem qualquer tipo de hematomas corroborou a convicção da polícia de que Sandra estaria envolvida na morte do próprio filho.
PJ NÃO DEU CREDIBILIDADE A DEPOIMENTO
Manuel de Almeida mora na primeira casa a seguir à ponte do parque, onde se deu o crime. No dia a seguir à morte de Tiago disse que ouviu os gritos da mãe e que, quando chegou junto da ponte, ainda tinha visto cinco homens a fugir e que ouviu uma conversa de Sidney, pai do bebé, ao telemóvel.
Nesse mesmo dia, os amigos de Sandra contradiziam Manuel de Almeida, adiantando que "nunca" tinham visto tal testemunha no local na noite de segunda-feira.
Ontem, o sentimento dos amigos era de consternação e choque: "Estamos todos chocados e sem saber explicar o que se está a passar. Não sabemos o que dizer." No dia a seguir ao crime, todos defendiam a versão contada pela amiga. Sandra até tinha autorizado os amigos a falarem com o CM e explicarem o que se tinha passado.
"A ÚNICA VERSÃO É QUE MORREU UM ANJINHO"
A família de Sandra esteve todo o dia de ontem no Tribunal de Sintra. Filomena, avó de Tiago, lamentava-se dizendo :"Não percebo porque a minha filha está aqui. Ela já contou tudo à polícia". O avô, José, não escondendo o seu sofrimento, disse que "a morte do meu neto está a ser um grande sofrimento". Depois de se saber da prisão de Sandra, o sentimento no bairro era de choque e repúdio. "Até custa a acreditar. Pelo que ouvi, era uma miúda pacata", disse Liliana Ferreira. "A única versão em que acredito é que morreu um anjinho", lamentou Teresa Novo , a viver na zona há trinta anos.
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