Discurso Directo
“O medo maior é que possa haver mortes”
José Manuel Anes, Pres. do Obs. Segurança, Criminalidade e Terrorismo (OSCOT), fala sobre policiamento da cimeira da NATO.
Por:Magali Pinto
Correio da Manhã – Confirma que já estão em Portugal alguns elementos de grupos internacionais violentos prontos para manifestações contra a cimeira da NATO?
José Manuel Anes – Sim. Temos informação de que já estão em Portugal alguns membros. No entanto, ainda são poucos e os elementos mais perigosos chegam na próxima semana.
– O que está a ser feito para evitar confrontos nos dias 19 e 20 de Novembro?
– Estão todos a ser acompanhados de perto e a informação da sua fixação em Portugal só foi possível graças à cooperação policial entre os países. Isto permite-nos saber várias características, referências e até onde estão localizados.
– Há uma preocupação especial sobre os Black Block?
– Sim, sem dúvida. Têm uma actuação muito particular. São especializados, com uma formação militar, que se aproveitam de manifestações pacíficas para entrar em confronto. O medo maior é que possa haver mortes, resultado desses confrontos, como em outros países europeus.
– A par desta ameaça de grupos anarquistas teme-se a actuação de grupos terroristas?
– Há o confronto de várias ameaças, desde de anarquistas até islamitas. Ultimamente, a ameaça terrorista tem vindo a aumentar cada vez mais, em especial na Europa, e estamos atentos a isso. Não podemos desvalorizar.
– Considera a polícia portuguesa suficientemente preparada para a cimeira da NATO?
– As nossas forças de autoridade são capazes e competentes, cada vez mais especializadas e não tenho dúvidas de que vão estar à altura do evento. O problema é mesmo a nível material, que pode não ser suficiente.
– Está a referir-se ao atraso dos equipamentos e dos blindados?
– Sim. Mas temos a garantia de que podemos utilizar as viaturas da GNR que estão de reserva.
Será que as forças de segurança vão fazer as suas vitimas, mortais como teme José Manuel Anes ?