Justiça: Namércio cunha fala sobre relação do ex-ministro com sucateiro
“Vara era gestor de influências”
Tal como Lopes Barreira, da Consulgal, o ex-vice-presidente do BCP era um “lobista”, ou seja, um “gestor de influências na gestão de conflitos”. As palavras são de Namércio Cunha, antigo director comercial da empresa de Manuel Godinho, O2, que falou ontem, pela primeira vez, no Tribunal de Aveiro, sobre a ligação entre o ex-ministro socialista e o sucateiro de Ovar.
Por:Catarina Gomes Sousa
O arguido adiantou ainda que, apesar de nunca ter estado com Armando Vara, sabia que este tinha uma relação próxima com Manuel Godinho. Lopes Barreira também foi descrito como “gestor dos interesses” de Manuel Godinho junto da REFER, tal como Paulo Penedos seria em relação à REN.
Questionado sobre a compra de 30 carruagens da CP, o antigo braço-direito do sucateiro negou ter oferecido contrapartidas a Ricardo Anjos, ex-quadro daquela empresa e arguido no processo, em troca de informações privilegiadas sobre concursos. No entanto, tal como na fase de inquérito, Namércio confirmou ter recebido essas mesmas informações. Em tribunal, o ex-director comercial revelou ainda que José Valentim, técnico da REFER, e Carlos Vasconcellos, gestor da mesma empresa, teriam telemóveis fornecidos por Godinho.
Namércio começou ontem a ser inquirido pelos procuradores do Ministério Público. O arguido foi questionado sobre os incentivos monetários dados por Manuel Godinho. Além de uma prenda de casamento no valor de 25 mil euros, Namércio recebia, pontualmente, dinheiro do sucateiro. Segundo o próprio, seriam “prémios pelo bom trabalho desempenhado na O2”. Namércio negou que esses pagamentos fossem contrapartidas por “qualquer serviço fora do normal”. O julgamento prossegue hoje.