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23 Maio 2012

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Entrevista

João Soares: "Se Seguro avançar terá o meu apoio"

Deputado do PS diz estar inclinado a votar em António José Seguro mas espera que Sócrates cumpra o seu mandato até ao fim.

Por:Janete Frazão / João Pereira Coutinho

 

 

Correio da Manhã - Perdeu umas eleições para José Sócrates...

João Soares - Perdi. E não perdi só para ele, já perdi várias. Mas também já ganhei algumas...

- É um facto. Mas sobre José Sócrates, olhando para estes últimos anos, considera que ele foi a melhor escolha para o País?

- Surpreendeu-me muito - e devo dizer que pela positiva. É um homem que revelou uma determinação e uma capacidade de realização concreta que me surpreendeu muito. De facto, perdi há muitos anos por uma cabazada, se me permite a expressão popular, as eleições internas para ele. E acho que essa questão da liderança do partido está arrumada.

- Estão a aproximar-se as directas do PS. Face ao seu discurso podemos concluir que vai votar Sócrates?

-Eu até estou mais à vontade porque nunca fui apoiante interno de José Sócrates. Agora, reconheço-me enquanto socialista naquilo que tem sido a sua liderança. Fui sempre um apoiante entusiástico do PS e das causas do PS protagonizadas pelo líder democraticamente eleito.

- Mas vai votar José Sócrates?

- É irrelevante porque ele tem as eleições mais do que ganhas. Nunca votei, mas pode ser até que vote. Dou-lhe um exemplo: Vítor Constâncio foi o pior líder que o PS alguma vez teve na sua história. Nunca votei nele, o que não significa que não tenha feito campanha ao lado dele com a determinação de que são os meus compromissos políticos.

- E João Soares nunca pensou recandidatar-se?

-Não. Acho que recebi uma lição e soube lê-la. Procuro ler os sinais que me são dados. E não vivi isso como nenhum drama.

- Há militantes do PS que acusam o partido de falta de debate interno. Concorda?

- Não, sinceramente. Acho é que nós, no PS, não tratamos os nossos líderes de uma forma tão ligeira como o PSD tem tratado. O PSD trata as suas lideranças como embalagens descartáveis.

- António José Seguro seria um bom candidato a secretário-geral do PS?

- Tenho a maior das simpatias por António José Seguro. E se vier a candidatar-se, estou obviamente inclinado a apoiá-lo. Porque é uma pessoa em quem me revejo. Mas é uma questão que não se coloca hoje.

- Mas o próprio António José Seguro não exclui essa hipótese.

- E acho que faz muito bem em exprimir aquilo que será a sua intenção, quando a questão se colocar. Mas António José Seguro, como outros, tem demonstrado uma disponibilidade permanente para estar ao serviço daquilo que são os combates políticos que o PS tem travado, nomeadamente no quadro parlamentar. Acho que é profundamente indelicado, até no plano pessoal, estar a colocar a questão nesses termos, como se ela estivesse aí na ordem do dia.

- Manuel Maria Carrilho tem sido uma voz muito crítica e também já colocou a possibilidade de se candidatar a secretário-geral. Como vê uma eventual candidatura?

- Tenho respeito no plano intelectual por Manuel Maria Carrilho mas ele tem aqueles ciclos de oscilação que nos caracterizam. Esse plano é talvez muito patriótico, mas não tem nenhumas hipóteses.

- Imagine que há a entrada do FMI em Portugal. Nessa situação, é possível a realização de novas eleições...

-Não é desejável que o mandato não se cumpra até ao fim, sobretudo neste contexto.

- Não acha que houve um estado de negação que durou mais do que o estritamente necessário?

- Não é nada apetecível ser primeiro-ministro ou ministro das Finanças em Portugal hoje. Por alguma razão vemos tanta hesitação nos nossos adversários políticos que têm mais hipóteses de, num quadro de alternância, nos suceder. Nunca ouvi até agora fazer um discurso delico-doce quanto às dificuldades. Tem havido do lado do Governo e, particularmente de José Sócrates, que tem sido a alma daquilo, um enfrentar claro das dificuldades.

"OS LISBOETAS DESPEDIRAM-ME"

CM - É possível regressar à política autárquica?

João Soares - Não. Mas foi das coisas que mais gostei de fazer como cidadão comprometido com a vida política da nossa terra, foi ser autarca em Lisboa. E, talvez com a excepção do Costa agora, fui o único que chegou à Câmara de Lisboa por vontade de lá ficar muito antes de lá estar.

- E não tenciona repetir?

- Os lisboetas despediram-me. Não sou homem de rancores, sei aceitar as lições. Acabou-se. Perdi.

- E António Costa tem feito uma boa gestão da cidade?

- É um homem inteligente e decidido. Mas não me pronuncio sobre um sítio onde estive tantos anos.

"ELEIÇÕES EM ANGOLA FORAM VIGARICE"

CM - A execução orçamental revela que houve um emagrecimento do défice. A oposição acredita que só foi possível graças aos grandes sacrifícios que se pediram aos portugueses. Concorda?

João Soares - É óbvio que se pediram grandes sacrifícios a muitos portugueses. Agora, é preciso pedir também aos outros, àqueles que estão por trás do sistema bancário e das operações financeiras. Os resultados são positivos, e devem ser sublinhados, embora sem optimismos exagerados. O Mundo está diferente. Por exemplo, ninguém previa este conjunto de levantamentos populares em toda a margem sul do mediterrâneo.

- Pensa que Portugal escolheu sempre de forma avisada os seus parceiros comerciais, emprestando-lhes uma certa caução política que ia além do mero interesse comercial. Por exemplo, no caso das relações entre Sócrates e Kadhafi, ou Hugo Chávez.

- Não vi nenhum caso em que se tenha prestado uma caução política que estivesse além daquilo que a esmagadora maioria dos países fez.

- Quando Sócrates diz que Kadhafi é um líder carismático...

- Sabe quem está a seguir a Kadhafi no ranking internacional do poder autocrático? É um senhor chamado José Eduardo dos Santos, que é presidente de Angola, cuja filha é hoje co-proprietária da maior parte das empresas portuguesas. Angola é que é uma questão concreta. Esse dinheiro que tem a proveniência que todos nós sabemos, mas que muitos se recusam a ver. Esse dinheirinho é que talvez fizesse sentido ser nacionalizado. É um poder autocrático que faz eleições que são uma vigarice. As últimas eleições em Angola foram uma vigarice. Eles não deixaram entrar observadores. Até a Ana Gomes, que é dada sempre como um modelo, foi lá e não foi capaz de dizer que aquilo era uma fraude de uma ponta à outra.

PERFIL

João Soares, 61 anos, acumula actualmente o cargo de deputado do PS com a presidência da Assembleia Parlamentar da OSCE e a presidência da Delegação da Assembleia da República à Assembleia Parlamentar da OSCE. Já foi eurodeputado e presidente da Câmara Municipal de Lisboa, sempre pelo PS.

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Comentários a esta notícia
  • Comentário feito por:Leandro Coutinho
  • 06 Março 2011

Lá vai ele mandando umas bocas acerca disto e daquilo.. Reconhece que o "despediram" em eleições.. Pena é que no resto em que esta metido também não haja eleições. Seria igualmente despedido e ficarmos livres dele..

  • Comentário feito por:Alipio Lopes
  • 05 Março 2011

ESTA A FIGURA E A EXPRESSÃO DE UM POLITICO. UM TRABALHADOR ESTARIA MUIOT MAIS EMAGRECIDO

  • Comentário feito por:liborio
  • 05 Março 2011

Como poderia A Senhora Ana Gomes dizer que as eleicoes em Angola foram uma vigarice,ja se esquecereram o que o Governo de Angola,mandou a policia fazer aos Portugueses que ali trabalham so porque o Mantorras foi multado.

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 05 Março 2011

O que é a OSCE? Para que é que nos serve? Quanto custa?

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 05 Março 2011

O que é a OSCE? Para que é que nos serve? Quanto custa?

  • Comentário feito por:liborio
  • 05 Março 2011

Como poderia A Senhora Ana Gomes dizer que as eleicoes em Angola foram uma vigarice,ja se esquecereram o que o Governo de Angola,mandou a policia fazer aos Portugueses que ali trabalham so porque o Mantorras foi multado.

  • Comentário feito por:Alipio Lopes
  • 05 Março 2011

ESTA A FIGURA E A EXPRESSÃO DE UM POLITICO. UM TRABALHADOR ESTARIA MUIOT MAIS EMAGRECIDO

  • Comentário feito por:Leandro Coutinho
  • 06 Março 2011

Lá vai ele mandando umas bocas acerca disto e daquilo.. Reconhece que o "despediram" em eleições.. Pena é que no resto em que esta metido também não haja eleições. Seria igualmente despedido e ficarmos livres dele..

  • Comentário feito por:Leandro Coutinho
  • 06 Março 2011

Lá vai ele mandando umas bocas acerca disto e daquilo.. Reconhece que o "despediram" em eleições.. Pena é que no resto em que esta metido também não haja eleições. Seria igualmente despedido e ficarmos livres dele..

  • Comentário feito por:liborio
  • 05 Março 2011

Como poderia A Senhora Ana Gomes dizer que as eleicoes em Angola foram uma vigarice,ja se esquecereram o que o Governo de Angola,mandou a policia fazer aos Portugueses que ali trabalham so porque o Mantorras foi multado.

  • Comentário feito por:Alipio Lopes
  • 05 Março 2011

ESTA A FIGURA E A EXPRESSÃO DE UM POLITICO. UM TRABALHADOR ESTARIA MUIOT MAIS EMAGRECIDO

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 05 Março 2011

O que é a OSCE? Para que é que nos serve? Quanto custa?

  • Comentário feito por:Leandro Coutinho
  • 06 Março 2011

Lá vai ele mandando umas bocas acerca disto e daquilo.. Reconhece que o "despediram" em eleições.. Pena é que no resto em que esta metido também não haja eleições. Seria igualmente despedido e ficarmos livres dele..

  • Comentário feito por:liborio
  • 05 Março 2011

Como poderia A Senhora Ana Gomes dizer que as eleicoes em Angola foram uma vigarice,ja se esquecereram o que o Governo de Angola,mandou a policia fazer aos Portugueses que ali trabalham so porque o Mantorras foi multado.

  • Comentário feito por:Alipio Lopes
  • 05 Março 2011

ESTA A FIGURA E A EXPRESSÃO DE UM POLITICO. UM TRABALHADOR ESTARIA MUIOT MAIS EMAGRECIDO

  • Comentário feito por: Anónimo
  • 05 Março 2011

O que é a OSCE? Para que é que nos serve? Quanto custa?

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