Fenprof anuncia manifestações para dia 16
Professores voltam aos protestos de rua
A Fenprof anunciou ontem protestos de rua de professores em todas as capitais de distrito no dia 16. Mário Nogueira, secretário-geral da maior estrutura sindical de docentes, defendeu que o primeiro-ministro não tem legitimidade para apelar à paz social, como fez no domingo. "Não venha pedir paz quem declarou a guerra. É tempo de vir para a rua dizer ‘basta de sacrifícios’ que nunca têm qualquer resultado", afirmou o dirigente, lembrando que "35 mil candidatos ao concurso de professores contratados ficaram no desemprego".
Por:Bernardo Esteves
Mário Nogueira disse que haveria ainda mais docentes no desemprego se não tivesse sido "travado" o fim do par pedagógico em Educação Visual e Tecnológica e a formação de mega-agrupamentos. Mas disse temer que o Governo "volte à carga". "O Documento de Estratégia Orçamental 2011-2015 divulgado pelo Governo anuncia a supressão de ofertas não essenciais no Ensino Básico. A Educação vai voltar a ser ler, escrever e contar como no tempo de Salazar?", questionou.
Confrontado pelo CM, o Ministério da Educação e Ciência (MEC) garantiu, contudo, que essa supressão se refere a "alterações introduzidas no Estudo Acompanhado e na Área de Projecto", em vigor já neste ano lectivo.
Nogueira afirmou ainda que foram detectadas "irregularidades nas listas de colocação" com a "retirada de 2 mil professores". Já segundo o MEC, não houve "quaisquer erros" mas nem todos os candidatos reuniam os requisitos para concorrer.
Mário Nogueira sublinhou ainda que não assinará acordo com o Governo sobre avaliação de desempenho docente se forem mantidas as quotas, as cinco menções para notas (a Fenprof pretende apenas três) e o efeito das classificações nos concursos.
Eu tenho pena de todos os desempregados, tenham eles a profissão que tiverem. No caso dos professores se ficaram tantos sem lugar, devem virar-se para outra área, jamais terão emprego no ensino, cada vez há menos alunos.