Educação: Protestos marcam abertura do ano lectivo de Norte a Sul
Faltam 3 mil docentes
Há cerca de três mil professores em falta, de acordo com estimativas de Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof. Ontem, último dia de arranque do ano lectivo, terminou também o prazo para as escolas notificarem o Ministério da Educação sobre as necessidades de docentes.
Por:João Saramago / Inês Braizinha com H.N. / J.N.P.
Embora o Governo não divulgue o número de professores em falta, Mário Nogueira recorda que, no último ano lectivo, quando foi aberta a segunda bolsa de recrutamento de professores, foram preenchidos cerca de três mil lugares. É previsível que esta bolsa volte a ser aberta na próxima segunda-feira, apesar de o ministério da Educação não avançar uma data.
O início das aulas ficou marcado por protestos de pais, de Norte a Sul. Fecho de escolas e falta de professores e funcionários levaram à contestação. A Norte há várias escolas com contrato de autonomia que estão a iniciar o ano lectivo sem docentes, tendo Eduardo Lemos, director da escola secundária Eça de Queiroz, na Póvoa de Varzim, referindo a falta de 14 professores só na sua escola.
Em Faro, o quadro de docentes das Actividades de Enriquecimento Curricular não está completo. A autarquia espera autorização do Governo para poder contratar 53 docentes.
Na Escola Básica 1 da Malveira (Mafra) faltam professores em turmas do 2º e do 4º. Núria Amaral, encarregada de educação explicou ao CM que os dois professores estão de baixa médica, que é renovada mensalmente. "Na escola não nos adiantam quando virão os substitutos", afirmou.
"Pontuais e ultrapassáveis" é como a secretária de Estado do Ensino Básico e Secundário, Isabel Leite, classificou as dificuldades na abertura do ano lectivo.
Hoje, é a vez dos professores se manifestarem contra o aumento do desemprego.
PAIS REVOLTADOS COM ANULAÇÃO DE UMA TURMA
Os pais dos 46 alunos da escola do 1º ciclo de Vale da Pinta, Cartaxo, vão boicotar hoje o arranque do ano lectivo, em protesto contra uma decisão do Ministério da Educação, que consideram "cega e incompreensível". Como a escola tem cinco crianças com necessidades educativas especiais e sete apoiadas por terapeuta da fala, o planeamento foi feito para três turmas. Na quarta-feira, o agrupamento de escolas foi informado que a Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo decidiu autorizar apenas duas turmas. Além de "fazer tábua rasa de todos os critérios de qualidade pedagógica", a decisão "ainda cria uma situação ilegal, que contraria um despacho do ministério", disse um pai, Pedro Marques.
GOVERNO REAVALIA RETORNO DE COMPUTADOR MAGALHÃES
Foram suspensas as inscrições para a entrega de computadores Magalhães e o Governo estuda, agora, se os aparelhos voltarão a ser entregues aos alunos, ao abrigo dos programas e-Escolinhas. O secretário de Estado do Ensino e Administração Escolar, João Casanova Almeida afirmou, ontem, que o Governo quer saber "se o dinheiro que está a ser aplicado em qualquer dos programas está a ter o retorno que deve para a educação das crianças e dos jovens" inscritos nos programas.
Os alunos exaustos por terem muitas horas de matemática e de português!!! Deve ser para rir! De facto com pais a falar assim viva as novas oportunidades com diplomas oferecidos! Que vergonha!