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23 Maio 2012

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d.r.

Linha do Corgo foi encerrada

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Vila Real

Protesto pela linha do Corgo

O Movimento Cívico pela Linha do Corgo (MCLC) promove no domingo um protesto contra o encerramento desta via, entre Vila Real e Régua, que começa com uma viagem de carro pela estrada alternativa que é "um convite ao acidente".

 

 

"Em algumas curvas da estrada alternativa à ferrovia um autocarro nem se consegue cruzar com um automóvel. É um convite claro ao acidente", afirmou hoje à Lusa Daniel Conde, do MCLC.

Após a suspensão da linha, em 2009, a CP implementou um serviço de autocarros que serve de alternativa ao comboio. Esta manifestação, que se inclui numa acção de defesa dos "Vales Durienses Ameaçados", tem partida marcada para a Estação de Vila Real, com viagem de carro até Alvações do Corgo. Depois, os participantes seguem a pé pelo ramal já desactivado da Linha do Corgo e concentram-se no largo da Estação da Régua. O objectivo, segundo Daniel Conde, é "reivindicar o regresso do comboio" e também "chamar a atenção da sociedade civil para a situação actual da linha e o seu potencial de desenvolvimento".

O Plano Estratégico de Transportes do Governo prevê a desactivação da Linha do Corgo, entre Peso da Régua e Vila Real, que actualmente se encontra com circulação suspensa. Encerrada desde Março de 2009 pelo anterior governo, que alegou razões de segurança, a linha que ligava a Régua a Vila Real deveria ter sido alvo de um investimento de 23,4 milhões de euros em obras de reparação e reabrir até ao final de 2010. As obras pararam após o desmantelamento dos carris, ficando no lugar da linha-férrea uma estrada de terra batida.

O MCLC lançou uma petição em defesa do regresso do comboio a esta via já em 2012. O objectivo da petição é atingir as 4000 assinaturas, número mínimo para levar a petição a debate na Assembleia da República. Daniel Conde, do MCLC, defendeu a reactivação da linha, mas com um comboio moderno que ande entre 50 a 80 quilómetros e com horários que sirvam as populações.

"Neste país só não há dinheiro para o que não se quer. Só nos estudos do TGV já se gastaram 116 milhões de euros e não há nada no terreno", sublinhou. A acção de domingo realiza-se depois de, na quinta-feira, o Movimento Cívico pela Linha do Tua (MCLT), do qual Daniel Conde também é porta-voz, ter organizado uma manifestação, em Mirandela, pelo comboio e contra a barragem de Foz Tua A esta iniciativa, que contou com a participação de 20 pessoas, juntou-se o duque de Bragança.

Daniel Conde referiu ainda que na próxima semana vai ser anunciada a criação de uma plataforma nacional de defesa do comboio em Portugal, na qual se vão reunir movimentos e associações de todo o país. O responsável considerou que "30 anos de políticas desastrosas para o caminho-de-ferro em Portugal levaram Portugal à miserável condição de único país da Europa Ocidental a perder passageiros na ferrovia". Agora, acrescentou, o "Plano Estratégico dos Transportes está a tentar ditar o encerramento de vias férreas que no seu conjunto não representam sequer três por cento dos prejuízos da CP, perpetuando uma farsa que lentamente levou o país a uma perigosíssima dependência das estradas".

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