Corte de rating: Standard & poor’s avalia negativamente Europa
Portugal vítima da guerra ao euro
É "infundada" a decisão da Standard & Poor’s em baixar o rating nacional em dois níveis, para ‘BB’, uma posição já considerada lixo, diz o Governo português, em reacção à avaliação da agência de notação norte-americana.
Por:Sofia Piçarra
Seguindo o exemplo da Moody’s e da Fitch, a S&P justifica o corte com o "ambiente político enfraquecido" do País, que prevê terminar 2012 com um PIB de 106%. Mas o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, responde que a S&P deixou cair os critérios económicos e optou por uma análise que "não reflecte adequadamente as realidades nacionais". Entre outros factores, invoca o consenso político em torno do projecto de ajustamento, cumprimento das medidas da troika, reformas estruturais, procura da consolidação orçamental e as estimativas para o PIB de 2011, que apontam uma recessão menos acentuada.
A S&P baixou também o rating de oito países europeus, incluindo França e Áustria, que tinham a nota máxima, ‘AAA’, e caem um nível, para AA+. Espanha, Itália e Chipre viram o rating descer dois níveis; Malta, Eslováquia e Eslovénia baixaram um.
ESTUDO PROPÕE FIM DE OLIGOPÓLIO NORTE-AMERICANO
A criação de uma agência europeia "não pode ser pensada como um meio para melhores notações para a dívida dos estados europeus", defende o eurodeputado do CDS Diogo Feio.
O responsável, que elaborou um estudo sobre as agências de notação, sustenta que o "oligopólio" das três agências dos EUA [Moody’s, S&P e Fitch] deve terminar, e sugere "alterar a legislação que atribui efeitos automáticos às notações, substituindo-as pelas análises dos próprios emitentes, dos bancos ou dos reguladores".
Era castigar as agencias, pondo-as a ouvir o Gasparinho a discursar durante duas horas.