Investimento: Restos do equipamento estão depositados em Leixões
Ondas de milhões abandonadas
Arrancou na Póvoa de Varzim, em Setembro de 2008. Com mais de dois anos de atraso, o projecto ‘Parque de Ondas da Aguçadoura’ era a grande aposta de Manuel Pinho, ministro da Economia do Governo de Sócrates. A iniciativa, que pretendia gerar energia a partir das ondas do mar, acabou por não resultar – e a infra-estrutura, que custou milhões, está agora ao abandono no porto de Leixões.
Por:Catarina Gomes Sousa
O projecto, avaliado em nove milhões de euros, teve uma participação de 15% do Estado. Foi então criada a Companhia da Energia Oceânica, uma empresa operacional com a participação da Enersis (à data, detida na totalidade pela Babcock & Brown) e da Pelamis Wave Power, que construiu a infra-estrutura. A EDP também entrou na iniciativa como parceira, já que é proprietária do cabo que transfere a energia do mar para a terra.
O Parque de Ondas da Aguçadoura foi concebido para acolher três máquinas Pelamis, que deviam produzir o suficiente para iluminar 1500 casas. No entanto, e depois de um arranque promissor, o projecto não funcionou. As condições climatéricas, as particularidades do local e as avarias técnicas terão estado na origem do mau funcionamento das máquinas – e terão ditado o fim da ambiciosa iniciativa, menos de um ano depois da instalação.
A infra-estrutura foi então retirada da Aguçadoura e transportada para o porto de Leixões, onde ainda se mantém. Contactada pelo nosso jornal, a administração do porto remeteu-se ao silêncio, garantindo que não teve qualquer envolvimento no projecto. A Câmara Municipal da Póvoa de Varzim diz apenas que não teve responsabilidades na iniciativa e Paulo Martins, representante da Pelamis em Portugal, afirma que o projecto nunca foi comparticipado pelo Estado. "A máquina avariou e foi substituída. Era apenas um protótipo que foi instalado sem garantia de compra", adianta.
MÁQUINAS NOVAS AINDA SE MANTÊM NA AGUÇADOURA
O primeiro projecto ‘Parque de Ondas da Aguçadoura’ não resultou, apesar da tentativa de reparação que levou a EDP e a Efacec a adquirir, por 2,5 milhões de euros, os 77% que a Babcock & Brown detinha. Assim, a empresa pública de energia ficou com a posição maioritária do consórcio. Meses depois, a Pelamis abandonou a iniciativa e foi substituída por outra empresa – que apresentou o ‘Wind Float’, um novo protótipo que ainda hoje funciona na Póvoa de Varzim.
Isto deve ser engano, pois um economista premiado com uma cadeira numa numa Universidade americana, subsidiada por uma empresa portuguesa, tem com certeza sabedoria e prestígio. A não ser que isso seja também uma farsa.