Silves: Dívida de 1,9 milhões de euros impede novas construções a custo controlado
Cooperativa parada
A Cooperativa de Habitação e Construção Económica União Silvense está paralisada há mais de três anos, afundada numa dívida de 1,9 milhões de euros por causa do segundo núcleo habitacional do Enxerim. José Manuel Grave, presidente da direcção, culpa a Câmara de Silves devido a atrasos na aprovação de projectos. A presidente da autarquia, Isabel Soares, nega e garante: "A Câmara esteve sempre de boa-fé."
Por:Paulo Marcelino
Os problemas da CHE União Silvense resultam do projecto no Enxerim iniciado em 2000. O núcleo tem 183 T3 (mais sete a entregar à Câmara pela cedência do terreno), mas não se fazem escrituras desde 2006, porque a construtora reteve chaves por causa da dívida.
Durante a construção, houve necessidade de alterar o projecto por causa da qualidade do solo. Foram construídas duas caves para seis lojas, numa área total de 1680 m2. O projecto de alteração deu entrada na Câmara em 2001, mas a cooperativa teve de recorrer ao tribunal para obter resposta, já depois de 2005. Ficou obrigada a reduzir de seis para cinco lojas. O novo projecto das cinco lojas ainda não teve resposta. E o projecto de 2001, entretanto despachado pela Câmara, tinha falta de um carimbo, o que inviabilizou a constituição de propriedade horizontal de 18 fogos.
"As demoras da Câmara provocaram encargos financeiros incomportáveis. Se este bloqueio não tem existido, a cooperativa teria um saldo positivo de 2 milhões de euros", diz o presidente da CHE União Silvense. "O senhor José Manuel Grave não fez as coisas como deve ser e agora quer encontrar algum bode expiatório. A Câmara não tem nada a ver com isso e ainda não recebeu as sete casas", responde Isabel Soares.