Capacidade: Mercado nacional produz mais do que consome
Leite estrangeiro invade Portugal
As marcas próprias dos grandes distribuidores alimentares, nomeadamente a Sonae (com o Continente) e a Jerónimo Martins (com o Pingo Doce), vendem todos os anos mais de 100 milhões de litros de leite importado.
Por:Hugo Real/Miguel A. Ganhão com M.T./R.O.
Os números são revelados por Pedro Pimentel, presidente da Associação Nacional de Industriais de Lacticínios, que adianta ao CM que anualmente os portugueses compram entre 850 e 900 milhões de litros de leite (menos do que a produção nacional, que atinge os 950 milhões). Deste valor, entre 330 e 360 milhões, diz o responsável, são vendidos sob a forma de marcas próprias.
Numa visita a algumas superfícies comerciais o CM encontrou produtos com origem em Espanha, França e Alemanha. Mas se Portugal produz leite suficiente para todo o seu consumo, como explicar que os grandes operadores comprem fora entre 100 e 120 milhões de litros para vender com marca própria? Pedro Pimentel aponta "razões comerciais", argumentando que o preço do litro de produção é "equivalente em toda a Europa". Assim, diz, esta importação causa um "excedente no País", o que acaba por "pressionar o preço e o escoamento do produto" o que, por sua vez, conduz a uma "desvalorização".
Argumentos diferentes tem a distribuição. Fonte oficial da Sonae disse ao CM que o Continente assumiu um compromisso com os seus clientes "de ter os seus produtos à venda e com preços não superiores aos dos seus concorrentes". A Sonae diz que nem sempre é possível encontrar no mercado português condições de competitividade para atingir aquele objectivo e que por isso é obrigada a recorrer a fornecedores estrangeiros.
PIQUENIQUE DE PRODUTO NACIONAL
O Continente vai realizar, a 18 de Junho, um mega-piquenique de promoção dos produtos nacionais. O evento, na avenida da Liberdade, em Lisboa, vai contar com um concerto de Tony Carreira. "Ainda bem que se organiza", diz Pedro Pimentel, que, no entanto, alerta que "existe muita demagogia" na mensagem que a empresa quer transmitir.
SONAE E JERÓNIMO MARTINS DOMINAM
Um estudo da Autoridade da Concorrência, de Outubro de 2010, revela que os nove grandes grupos retalhistas detinham, em 2008, uma quota de 85% do valor total de vendas no retalho alimentar. Sonae e Jerónimo Martins têm uma fatia conjunta de cerca de 45% do total.
PEQUENO FABRICANTE FAZ FRENTE À JERÓNIMO MARTINS
A Lacticínios das Marinhas deixou de fornecer o seu queijo, um dos ex-libris da empresa, às lojas do grupo Jerónimo Martins, que detém às marcas Pingo Doce e Recheio. Trata-se de uma reacção inédita de uma pequena empresa familiar face a uma das maiores cadeias de distribuição em Portugal. Em causa estarão os preços exigidos pelo grupo Jerónimo Martins.
A empresa de Esposende, liderada por Berta Castilho, cuja manteiga é considerada uma das melhores do Mundo, está a disponibilizar vários números de telefone e telemóveis aos seus clientes, assim como endereços de correio electrónico, para orientá-los para as lojas mais próximas das suas residências. Uma alternativa para vender os seus produtos, que agora ficaram ausentes das prateleiras dos supermercados Pingo Doce.
Fonte oficial do grupo Jerónimo Martins confirmou ao Correio da Manhã que deixou de vender os queijos fabricados pela Lacticínios das Marinhas mas recusa fazer comentários sobre o assunto. O fornecedor limita-se a invocar "desacordos comerciais" para o corte de relações. A empresa familiar conta com mais de duas dezenas de trabalhadores e facturou no ano passado cerca de 1,1 milhões de euros.
DISCURSO DIRECTO
"MARCA BRANCA ULTRAPASSA 40%": Pedro Pimentel, presidente da Ass. Nac. Ind. Lacticínios
Correio da Manhã – Actualmente como está a relação entre produtores e distribuidores?
Pedro Pimentel – É um relacionamento de fricção. Cada parte defende os seus interesses.
- Há diferenças entre as cadeias nacionais e as internacionais?
P. P. – Não. Embora a Auchan seja das poucas que faz publicidade à origem do leite de marca branca.
Quanto valem as marcas brancas em termos de consumo?
P. P. – Na maior parte dos produtos lácteos já ultrapassou os 40% e nas grandes superfícies a média aumenta.
Durante uma boa parte do ano os produtores nacionais tem de alimentar os animais a ração devido ao nosso clima enquanto os produtores da polónia não precisam também pelo clima o que cria valores impossiveis de combater