Pela segunda vez no espaço de um ano
Greve geral: Portugal pára contra austeridade
A tradicional adesão dos trabalhadores do sector dos transportes às greves faz prever um dia muito complicado nas deslocações em todo o País, mas sobretudo em Lisboa e no Porto, com o previsível aumento do trânsito. Com os barcos e metros parados e os comboios e os autocarros reduzidos aos serviços mínimos, milhares de portugueses vão sentir dificuldade em chegar aos seus destinos.
Por:Luís F. Silva/Raquel Oliveira/B.E./C.S./M.P./L.M./C.R.
No Porto, o Metro não pára, mas a oferta vai ser muito reduzida e limitada à Linha Amarela e ao troço da Linha Azul entre a Senhora da Hora e o Estádio do Dragão. A paralisação dos transportes provoca assim o caos nas ligações rodoviárias, prevendo-se trânsito intenso nos acessos e no interior das cidades.
Os efeitos da greve já se fizeram sentir ontem no sector dos transportes, concretamente nos aeroportos (com voos cancelados desde as 21h00), Metro (fechado desde as 23h30) e comboios da CP. Nos aeroportos, a paralisação deverá afectar cerca de 50 mil pessoas. Devido ao facto de terem um fundo de greve, os maquinistas da CP serão os únicos que não vão perder o dia de salário – ao contrário do que acontece com os restantes trabalhadores.
A greve geral convocada pelas duas centrais sindicais, UGT e CGTP, a que se associaram sindicatos independentes, acontece precisamente um ano depois de outra greve geral que mobilizou cerca de três milhões de trabalhadores (segundo os sindicatos) contra as políticas do Governo então liderado por José Sócrates. Esta é portanto a segunda greve geral conjunta das centrais sindicais e a sétima realizada em Portugal nos últimos 29 anos.
Desta vez, a greve geral tem como pretexto o programa de austeridade do Governo, que, entre outras medidas, levou ao corte de 50% do subsídio de Natal deste ano e a totalidade dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos em 2012 e 2013.
Deste modo, a máquina da Administração Pública deverá ser a principal afectada pela greve. Outros sectores fortemente afectados são a Educação e a Saúde.
OS PRINCIPAIS SECTORES QUE PODEM SER AFECTADOS
Educação: A Fenprof espera que "a grande maioria das escolas" não abra hoje, prevendo uma adesão "muito significativa" de professores e funcionários. O Sindicato de Professores da Grande Lisboa vai ter piquetes de greve nas escolas para convencer docentes indecisos.
Saúde: Os sindicatos dos médicos e dos enfermeiros garantem os serviços mínimos apenas nos hospitais e nos Serviços de Urgência Básica (SUB) que funcionam 24 horas por dia. Cirurgias programadas e consultas hospitalares e nos centros de saúde poderão ser adiadas.
Segurança: Agentes do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, ASAE e Guarda Prisional associam-se hoje à greve. De fora ficam apenas a GNR, PSP e Polícia Marítima, uma vez que a lei não lhes permite tal direito. A PSP vai reforçar o efectivo devido às concentrações.
Bombeiros: "O socorro às populações está absolutamente garantido. É uma questão que nunca se pôs", afirmaram ontem Duarte Caldeira, da Liga dos Bombeiros, e Fernando Curto, da Associação dos Bombeiros Profissionais, que garantiu uma adesão "em massa".
PASSOS RECORDA MEDIDAS DE SOARES
O primeiro-ministro não deixou ontem Mário Soares sem resposta no seu apelo à mobilização contra as medidas de austeridade. Na véspera da greve geral e do primeiro grande teste à sua governação, Passos Coelho avisou: "Ele sabe como é difícil aplicar este tipo de medidas, mas ele, como talvez mais ninguém, tem noção de como é indispensável produzir estas alterações."
O chefe do Executivo recordou as duas vezes em que Mário Soares foi primeiro-ministro e aplicou planos de ajuda externa.
Já o Chefe de Estado, Cavaco Silva, optou por não fazer qualquer comentário, nem mesmo sobre o resultado das conversações para o Orçamento. Neste capítulo, há um da-do novo. Fernando Medina, do PS, admite pela primeira vez que o amplo apoio político à austeridade pode estar em risco. Porém, o CM apurou que o líder da bancada do PS, Carlos Zorrinho, almoçou ontem com o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro. Horas antes, Zorrinho classificava de "oportuno" o manifesto de Soares.
Se o pais ja esta mal e agora vao fazer greve, solucao o pais aindd vai ficar com maiores problemas.