Centenas de pessoas despediram-se de Benvinda, Cátia e Maria
Funeral em Beja: “Amor, jamais te esquecerei”
"Adeus meu amor, que finalmente possas descansar em paz, jamais te esquecerei, e à Maria também." Foi desta forma emocionada que Pedro Rodrigues se despediu ontem da namorada, Cátia Esperança, brutalmente assassinada à catanada.
Por:Alexandre M. Silva /Sofia Piçarra
Após o funeral das vítimas, o jovem deixou várias mensagens de amor e de saudade na rede social Facebook. "Voaste primeiro e logo de seguida voei eu para os teus braços. Prometemos que nunca mais voaríamos, mas infelizmente a vida pregou-nos uma partida e voltaste a voar primeiro em direcção ao céu, deixando-me aqui sozinho. Só te digo até já porque em breve voarei para os teus braços novamente", escreveu Pedro, em alusão ao momento em que conheceu Cátia, no hospital, depois de ter sofrido um acidente e de a jovem ter tentado o suicídio. Pedro acompanhou o funeral de forma discreta, segurando nas mãos um ramo de flores azuis, sempre amparado pela família.
O silêncio na cerimónia de despedida a Benvinda, Cátia e Maria, à qual ao princípio da tarde compareceram centenas de pessoas, contrastou com os gritos da população à porta do tribunal, onde à mesma hora o homicida era ouvido por um juiz e de onde saiu para a prisão.
Os caixões de Benvinda e Cátia seguiram em carros funerários separados, enquanto a pequena urna branca de Maria foi transportada em mãos por alguns populares, num momento que deixou muitas pessoas de lágrimas nos olhos. As urnas de Cátia, de 28 anos, e da filha, de quatro, ficaram sepultadas lado a lado no cemitério, a poucos metros da urna de Benvinda.
HOMICIDA DORMIU PROFUNDAMENTE
Francisco esteve 43 horas detido nos calabouços da PSP de Beja. Permanentemente vigiado numa cela aberta pelos agentes, o triplo homicida dormiu profundamente nas duas noites.
NUNCA MOSTROU ARREPENDIMENTO
Durante todo o tempo em que esteve detido nos calabouços da PSP, Francisco comeu sempre normalmente e nunca mostrou aos agentes qualquer sinal de arrependimento pelo massacre que cometeu.
PEDE A POLÍCIAS PARA SE CALAREM
Na madrugada de ontem, o homicida pediu aos polícias para se calarem porque não conseguia dormir. O comandante da PSP local referiu que o detido teve um "comportamento normal".
HOMICIDA VESTIDO DE PRETO COMPROU CERVEJA E MACIEIRA
No último dia de liberdade, na segunda-feira, Francisco Esperança entrou numa pastelaria, pelas 11h00, e começou a beber. "Entrou em diálogo comigo, sempre a beber cerveja", contou ao CM Carlos Paquete, que "nunca o tinha visto".
"Sabe porque é que estou a beber? Porque os médicos me deram três meses de vida e prefiro viver dois à minha maneira do que três como eles querem", disse o homicida, contando ainda que estava a fazer quimioterapia, mas ia desistir por ser doloroso. "Sempre educado, calmo e afável", recorda Carlos Paquete, que só estranhou o facto de Francisco estar vestido de preto: "Como se estivesse de luto." Pelas 15h00 saiu, comprou duas grades de cerveja e uma garrafa de Macieira, e foi para casa, onde foi detido.
CUNHADA PROCUROU FRANCISCO
Alertada pela família, que já temia o pior com a ausência de Benvinda, Cátia e Maria, Maria José Zambujo, uma das cunhadas da lojista assassinada, procurou Francisco na segunda--feira para obter mais informações. "Perguntei por elas, e disse-me que estava tudo bem. Tentei que me levasse lá a casa para as ver, disse-me que ia fazer um recado e que já voltava para me apanhar, mas não o voltei a ver", conta.
Mau carácter! Se for verdade que os médicos lhe deram pouco tempo de vida, achou certamente que a família não tinha o direito de "ficar" depois dele. E se também lhes dava maus tratos, a morte dele seria um alívio!