Entrevista: Primeiro-ministro alerta para crise se parlamento chumbar PEC
“Devolver a voz ao povo”
José Sócrates afirmou ontem que se os partidos da Oposição votarem em massa contra o PEC 4 – o novo Programa de Estabilidade e Crescimento – estarão a abrir uma crise política e terá de ser devolvida "a voz ao povo". No caso de eleições antecipadas, irá recandidatar-se: "Com certeza que sim" e "é evidente", respondeu.
Por:António Ribeiro Ferreira / Paulo Pinto Mascarenhas / C.R. / D.R.
Na entrevista em simultâneo à SIC e à SIC Notícias, o primeiro--ministro repetiu várias vezes a ideia de que a alternativa ao PEC é a intervenção das instituições internacionais em Portugal - "a receita FMI" - que "seria muito pior" que "as medidas agora apresentadas". E insistiu que nada fará "que possa contribuir para uma crise política".
José Sócrates foi pela primeira vez muito claro sobre o que significava o pacote FMI para os portugueses: "Acabaria o 13º mês e o subsídio de Natal, o subsídio de desemprego seria reduzido, os salários sofreriam novos cortes e haveria despedimentos na Função Pública."
"Espero que todos caiam em si", adiantou, criticando as palavras de ontem do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que considerou "despropositadas". "Não estou agarrado ao poder", garantiu, mas "uma crise política seria uma completa irresponsabilidade". Criticou ainda o discurso do Presidente da República na cerimónia da tomada de posse por não ter referido a crise financeira internacional.
"Não contribuo para esse espectáculo degradante", disse sobre a posição do PSD. E acrescentou: "Não é verdade que Portugal esteja a negociar com a União Europeia antes de negociar com o Parlamento." Segundo Sócrates, as medidas apresentadas são apenas "linhas de orientação" que o Governo está disposto "a negociar". Mais: "Nós apresentámos as nossas medidas. Porque é que não apresentam as deles?", concluiu.
"CHEGÁMOS AO FIM, ISTO NÃO PODE CONTINUAR ASSIM"
A dois dias do encontro com o Presidente da República, o líder do PSD, Passos Coelho, deixou ontem bem claro que "esta peça de teatro de má qualidade acaba aqui". "O Governo meteu-se numa alhada grande, meteu o País numa alhada grande e quer que seja o PSD a descalçar a bota", afirmou , acrescentando: "Isto já passou dos limites e não vai ser com o PSD que o Governo vai descalçar novamente a bota." Passos Coelho extremou o discurso, deixando a ideia de que deve explicar a Cavaco Silva que não aprova o novo Programa de Estabilidade e Crescimento. "Chegámos ao fim, isto não pode continuar assim", declarou o líder do PSD, recusando, contudo, usar a expressão moção de censura - que não foi debatida na comissão política.
Antes, Miguel Relvas frisou que o PSD não aceita ultimatos. No Parlamento, Abril é apontado como o mês para a crise.
CORTE NO RATING DE PORTUGAL EM DOIS NÍVEIS
Pouco depois de o primeiro-ministro falar à SIC, a agência de notação de risco Moody's anunciava o corte do rating de Portugal em dois níveis, de A1 para A3, e com perspectiva negativa. O nosso país fica assim a um nível da classificação B, que separa os países com dívida de "pouco risco" dos Estados com dívida de "risco elevado". Dos países sujeitos a resgate, a Irlanda tem um rating de Baa1 e a Grécia de B1.
Esta decisão surge no dia em que o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, garantia, em Bruxelas, que "o Governo está disponível para discutir com os vários partidos" as novas medidas de austeridade, e que o PEC 4 "não precisa de ir à Assembleia da República".
E assim fez as malas e agora paguem as dividas nos próximos 100 anos. Há! zé povo, agora é que te enfiaram o barrete até aos ombros!!!!