Discurso directo
“Ninguém pode prever o local exacto da queda”
Rui Agostinho, director do Observatório Astronómico de Lisboa, fala sobre queda descontrolada do satélite UARS
Por:André Pereira
Correio da Manhã – Há riscos de o satélite cair em Portugal?
Rui Agostinho – Em Portugal não cai. É certo que ninguém pode garantir com exactidão onde vai cair, mas as agências espaciais estão a acompanhar cada órbita do satélite e já disseram que a probabilidade de provocar danos são mínimas.
– O que torna imprevisível o local da queda?
– À medida que perde altitude, começa a sofrer os efeitos da atmosfera e cai mais depressa, uma vez que a inclinação da trajectória é maior. Os detritos não são uniformes e com as forças da atmosfera começam a ser desviados de forma descontrolada.
– Quando se souber o local de impacto, há alguma coisa que possa ser feita?
– À partida deverá cair no meio do oceano. Mas não há nada que se possa fazer, mesmo que se saiba onde vai cair. Os pedaços não podem ser interceptados.
– Resistem 26 pedaços porquê?
– Este satélite é enorme e precisava de compartimentos que resistissem às altas temperaturas do espaço.