Encontro de cientistas nacionais, em Lisboa
Dados meteorológicos nas universidades
Os dados recolhidos pelo Instituto Meteorológico (IM) serão disponibilizados às universidades que fazem previsão meteorológica nos respectivos departamentos. Ainda sem data para o arranque da colaboração, foi o próprio Mariano Gago, ministro da Ciência e da Tecnologia, que tutela a instituição, a alertar para “uma necessidade urgente que importa corrigir brevemente”.
Por:André Pereira
A recomendação de Mariano Gago vai ao encontro das pretensões de Delgado Domingos, coordenador do grupo de previsão numérica do Instituto Superior Técnico (IST), e surge na sequência da polémica criada em Fevereiro após a catástrofe provocada pelas cheias na Madeira. Delgado Domingos acusou o IM de não dispobibilizar a informação recolhida pelo modelo de previsão utilizado na Europa, garantindo que podia prever fortes chuvadas com sete dias de antecedência.
“Na altura disse que a catástrofe podia ter sido evitada e agora está visto que tinha razão”, afirmou ao CM Delgado Domingos, durante o ‘Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que termina amanhã no Centro de Congressos de Lisboa.
Numa das sessões realizada ontem, sob o tema ‘Meteorologia: previsão e modelação’, Hartmut Grassl, investigador do Instituto Meteorológico Max Planck, considerou necessária uma maior colaboração entre os diversos modelos de previsão meteorológica, de forma a obter-se os melhores resultados possíveis. “Um pequeno investimento na previsão pode significar uma poupança enorme de dinheiro”, afirmou.
Durante a sessão foram efectuadas comunicações do IM, do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial e do Instituto D. Luiz.
No auditório principal do Centro de Congressos de Lisboa, o fundo do mar foi o tema em destaque, com destaque para a apresentação de John Delaney, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. “Os oceanos são fundamentais para a manutenção do bem-estar da população mundial e continuam a ser um enorme mistério, pois estão em constante evolução”, afirmou o investigador.
De forma a compreender-se melhor a dinâmica e as potencialidades existentes no fundo dos oceanos, John Delaney anunciou para 2014 a conclusão do projecto que prevê a instalação de estações no Oceano Pacífico junto a Califórnia, nos Estados Unidos.
Ricardo Serrão Santos, director do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, explicou ao CM que existe um potencial enorme de recursos no fundo dos oceanos à espera de ser aproveitado. “O potencial económico do fundo dos oceanos é já uma realidade. Com o alargamento da plataforma continental de Portugal, as riquezas que se podem extrair do fundo dos oceanos são enormes. Se não formos nós a fazer essa exploração, serão outros a fazê-lo”, sublinhou.
DISCURSO DIRECTO
'NÃO SE FAZ AVALIAÇÃO CIENTÍFICA SEM DADOS', Mariano Gago, Ministro da Ciência e Tecnologia
Correio da Manhã – Como analisa as acusações do Instituto Superior Técnico, que reclama o acesso à informação recolhida pelo modelo de previsão usado pelo Instituto de Meteorologia, acusando-o de não fornecer dados mesmo quando solicitado?
Mariano Gago – Não é possível fazer avaliação científica sem ter acesso a todos os dados existentes. Isto é um grande obstáculo a sermos cada vez melhores e o acesso a essa informação tem de ser resolvido muito proximamente. Este congresso [Encontro com a Ciência e Tecnologia em Portugal, que termina amanhã] veio demonstrar essa urgência.
– De que forma será possível fazer-se essa partilha?
– A utilização desses dados para efeitos científicos é muito importante. Tem de ser criada uma plataforma de avaliação para permitir que os diferentes dados recolhidos estejam disponíveis.
– Existem outras áreas onde melhorar essa colaboração?
– Na avaliação dos dados recolhidos pelos vários modelos sobre fenómenos extremos. A cooperação terá de ser internacional, até para se ter mais fenómenos para analisar.
se querem previsoes de jeito devem recorrer ao centro europeu, e nao ao incompetente IM. sao baratas comparadas com uma viagerm de um deputado para visitar a amante.