A família de Rolando Palma, professor de Elvas abatido anteontem a tiro no Rio de Janeiro pelo ex-marido da actual companheira, pediu ontem à Justiça brasileira que em julgamento aplique uma pena exemplar ao homicida, um advogado da cidade carioca com influência junto da igreja e do governo.
"Tirou o pai da vida das nossas filhas. Por elas vamos lutar pela Justiça. Não pode passar impune ao crime que cometeu", disse ontem ao CM Maria João, mulher com quem o professor esteve casado antes de conhecer Regina D’Ávila, de 48 anos.
Além de ter provocado a morte do português de 49 anos, o causídico brasileiro António Costa de Oliveira, 61 anos, atingiu ainda a ex--mulher, de raspão na cabeça, com um dos quatro tiros. O acto tresloucado, motivado por ciúmes, só não causou maior tragédia porque o seu filho, de 13 anos, fruto da relação com a ex-mulher, se baixou dentro do carro onde ocorreu o crime.
Segundo a família da vítima, terá sido o gosto pela artes que levou Rolando a abdicar, em 2009, de um casamento de 21 anos. "Foi atrás do seu sonho. O nosso casamento era feliz, mas ficou louco por ela", referiu a ex--mulher que trabalha na loja de informática DVI, em Elvas, da qual Rolando era sócio. "Depois do divórcio mantivemos uma grande amizade. Até queria conhecer a actual companheira", disse Maria João.
Na cidade alentejana, a notícia do assassinato do professor de Electrotecnia da escola secundária local caiu que nem uma bomba. "Quando se separaram ficámos todos surpreendidos. Ficámos tristes com esta morte", referiu o amigo Silvestre Almeida.
TEMIA FUGA DO FILHO PARA PORTUGAL
Minutos depois do crime, o homicida António Costa de Oliveira foi detido pela polícia brasileira. Na sua posse estava a arma do crime, uma pistola de calibre .380. Mais tarde, aos jornalistas, disse não conhecer a vítima e que agiu para evitar a fuga da ex-mulher com o seu filho, de 13 anos, para Portugal. "Nunca o vi", frisou, referindo em seguida que disparou contra o casal para que este não "saísse de carro para um Estado junto à fronteira". Por acordo do divórcio, a criança não podia deixar o Brasil sem autorização do pai. Tal só seria possível se cruzasse a fronteira de automóvel para apanhar um avião num país vizinho. Na entrevista ao jornal brasileiro ‘O Dia’, o agressor contou que se separou em 2006 e que foi a ex-mulher que pediu o divórcio. Pelo facto da antiga companheira rejeitar os seus contactos telefónicos, António Costa partiu para a agressão. "Abri a porta do carro. Vi um homem sentado e não sabia quem era. Foi uma reacção espontânea", referiu o advogado. No final da entrevista mostrou "arrependimento" e pediu "perdão" à família do falecido.
ADVOGADO INFLUENTE
O homicida é tido como um "bom advogado" do Rio de Janeiro, influente junto do governo – onde tem familiares – e da igreja. Para a arquidiocese da cidade carioca trabalhou 24 anos como coordenador do departamento jurídico. Ficou conhecido por ter proibido, em 1989, o uso de imagens religiosas em desfiles de escolas de samba. Saiu da arquidiocese em 2002. O motivo não foi divulgado.
ACUSADO DE AGRESSÃO
António Costa de Oliveira, que tem ainda duas filhas adultas de outro relacionamento, manteve o casamento com Regina durante 15 anos. Naquele período, segundo a imprensa brasileira, o advogado terá tentado matar a ex-mulher. A agressão, no entanto, não foi relatada à polícia. Em Abril, Regina apresentou uma queixa contra o ex-marido por ameaças. Foi retirada no mês seguinte.
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quem mandou ir atraz de mulher casada no Brasil tem um ditado mulher casada cheira a difunto