O ex-engenheiro civil da empresa Smith & Pedro, João Cabral, disse ontem, no Tribunal do Barreiro, "não ter dúvidas" de que o advogado José Gandarez, genro do então ministro da Economia Mário Cristina de Sousa, pediu 1,2 milhões de contos para garantir a aprovação do outlet de Alcochete, em 2001.
As palavras de João Cabral foram proferidas durante uma acareação com os advogados Alexandre Oliveira, José Gandarez e Albertino Antunes, determinada pelo colectivo de juízes que está a julgar Manuel Pedro e Charles Smith por tentativa de extorsão. O ex-funcionário da Smith & Pedro garantiu ainda que a reunião de 4 de Dezembro de 2001, onde o pedido de dinheiro terá sido feito, foi convocada por Albertino Antunes, mas liderada por Gandarez.
José Gandarez garantiu, por seu turno, que quase não abriu a boca na reunião e que não se lembra de ter sido referida qualquer verba.
Tanto Alexandre Oliveira como Albertino Antunes garantiram que a reunião foi convocada por Manuel Pedro e não sabiam que o projecto do Freeport ia ser chumbado. Segundo os advogados, Manuel Pedro terá pedido a reunião porque estava preocupado com o chumbo do projecto e queria amenizar a notícia perante os responsáveis do Freeport, apresentando uma solução. Albertino Antunes garante que a verba, 1,2 milhões de contos, foi pedida pela Smith & Pedro para pagar à equipa que ia alterar o projecto, versão que é contrariada por João Cabral.
No final da audiência, os juízes admitiram que as testemunhas mantiveram as contradições e que continuam sem saber quem pediu a reunião e o dinheiro.
O POLÉMICO MEMORANDO
O colectivo de juízes confrontou ontem os advogados Alexandre Oliveira, José Gandarez e Albertino Antunes com o memorando que João Cabral, o engenheiro que trabalhou para a Smith & Pedro, garante ter sido elaborado por eles.
Neste memorando, com data de 5 de Dezembro de 2001 - em nome da empresa de Charles Smith e Manuel Pedro - o escritório de advogados Gandarez, Antunes e Oliveira informava os responsáveis do Freeport das diligências que tinha levado a cabo para obter a aprovação do outlet e que havia "algumas questões técnicas por resolver". Avisava ainda que dentro de 48 horas, "por decisão governamental", o projecto seria chumbado. Mais, no mesmo documento era referido que era possível formar uma nova equipa para resolver a questão, uma vez que o projecto tinha de ser reformulado. Se os responsáveis do Freeport aceitassem as condições seria possível aprovar o projecto em 90 dias. No ponto quatro fala-se em dinheiro: "Os honorários das equipas, para este propósito, serão uma quantia de 1,2 milhões de contos [cerca de 3,906 milhões de libras]".
Albertino Antunes contou que o memorando não foi enviado. Charles Smith e Manuel Pedro não queriam que fosse referido que a sociedade Gandarez, Antunes e Oliveira estava a enviar aquele documento em nome da Smith & Pedro. "Como não fazia sentido recusei", disse o advogado, acrescentando que nunca percebeu esta atitude.
PERGUNTAS DE ADVOGADA CAUSAM TENSÃO
As perguntas de Paula Lourenço, defensora de Smith e Manuel Pedro, ao advogado Alexandre Oliveira, ouvido como testemunha, causaram momentos de tensão no tribunal. Paula Lourenço perguntou se da reunião do dia 4 de Dezembro de 2001 tinha resultado alguma peça jurídica. Como Alexandre Oliveira não estava a responder, a advogada bateu na mesa e falou mais alto. "Senhora doutora não bata com a mão", respondeu a testemunha.
Ah!..ah!..houve suborno?..tudo isto é diversão..segundo duas das mais altas individualidades da justiça portuguesa..só dá para rir á gargalhada..mas notem a coisa não é só por cá..vejam as buscas a Sarkosy na França..!!!
Se os principais artífices deste caso não são arguidos e não consta que estejam a ser pedidas certidões para abrir processos laterais,pouco interessa o que diz A ou B,porque vai ficar tudo como começou.Tubarões ao largo!
Tragam o principal suspeito para ser JULGADO !!! Enquant isso anda gozando em Paris com o nosso dinheiro !!! Dêem o nome aos bois e acabem com os inquéritos que só servem para gastar dinheiro e nada provar !!!
Carago: Ainda não desta que conseguiram incriminar eng. Sócrates? As coisas continuam a não sair nada bem aos promotores executores da Praça. Gentalha opinadora/trapaceira de Sócrates, deve andar frustrada, é a vida
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