Nas mulheres aprecio os seios, mas têm outro enredo". Esta frase faz parte de uma das dez quadras lidas em plena sala de audiências do Tribunal Cível de Lisboa pelo Procurador-Adjunto José Vaz Correia, no dia 7 de Outubro. Os poemas do magistrado foram registados em acta e deram lugar a certidão enviada pela juíza Catarina Pires ao Conselho Superior do Ministério Público.
Tudo começou quando Vaz Correia chegou vinte minutos atrasado ao julgamento. A juíza abriu o processo, dizendo que "foi declarada aberta a presente audiência pelas 09:20 horas, por apenas a essa hora ter comparecido o Digno Magistrado do Ministério Público."
Na acta, adianta-se que Vaz Correia logo respondeu que o atraso se deveu a "um lapso evidente e único com o seu despertador". Foi assim que "acordou o signatário, convencido de que eram 06:40 horas da manhã" e "dirigiu-se para o Serviço".
O magistrado prosseguiu declarando que "escreveu várias quadras dentro do Metro, como aliás o faz frequentemente". Neste momento, a juíza mandou interromper a audiência, "atendendo a que se mostrava momentaneamente indisposta".
Quando recomeçou, Vaz Correia retomou a palavra: "Solicitei há instantes ao meu funcionário que me trouxesse o meu casaco do gabinete, pelo que passo a tirar do bolso e a ler algumas das quadras que escrevi."
Explica a escrivã que foi dito por Vaz Correia "que pretendia que as quadras ficassem expostas em verso". Assim foi. A juíza ordenou então, em despacho, que fosse extraída "certidão desta acta para efeitos disciplinares" e remetida ao Conselho Superior do Ministério Público.
O PROCURADOR DOS RECURSOS
Não é a primeira vez que José Vaz Correia, de 59 anos, entra em polémicas na Justiça. O magistrado recorreu em 2006 para o Supremo Tribunal Administrativo de uma inspecção extraordinária do Conselho Superior do Ministério Público que lhe deu uma nota de "suficiente". Perdeu este recurso.
AS QUADRAS
"Os comboios já vão cheios, muitos se levantam cedo, nas mulheres aprecio os seios, mas têm outro enredo"
"Entram uns, saem outros é o frenesim de manhã, levam-se encontrões levo eu e mulher minha"
"Adoro levantar cedo e ter a obrigação cumprida dos falsos tenho medo são o pior que há na vida"
"O ser humano é excepção em qualidade dos animais, quanto mais desumanos são, mais se parecem com esses tais"
"São sete e pouco da manhã, viajo do Metro para o trabalho, fi-lo ontem, farei-o amanhã, só sou aquilo que valho"
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não vejo mal algum em recitar poemas, se isso não é permitido em audiência, então onde existe a liberdade de expressão? isso é punido???? assim anda o país.. entenda-se o valor das pessoas, já chega de burocracias...
O q precisamos mm. é de juizes imparciais, justos e com grande qualidade. Q ñ se deixem influenciar pelos poderes politicos e q façam justiça para pobres=ricos.
O q precisamos mm. é de juizes imparciais, justos e com grande qualidade. Q ñ se deixem influenciar pelos poderes politicos e q façam justiça para pobres=ricos.
Para melhorar a quadra
Recomendo-lhe Pessoa
José Régio é um barra
E é leitura muito boa
São quadras mal amanhadas
De procurador atrasado
Os seios são desfolhadas
De Outono começado
Como diria Mia Couto: FANTABULOSO que é além de fantástico também fabuloso. Esse poeta (ou aprendiz de tal) deveria ser agraciado com a Gran Cruz do Infante. Por muito menos outros já a receberam (ou outra).
Muito bem Sr. Doutor.
Vê-se que teve 20 a Português.
"farei-o outra vez", talvez...
Só que no meu tempo, século XX dir-se-ia: "falo-ei outra vez".
Será que o "falo" não ficava bem na audiência?
Fantástico! Brinca-se aos advogados? Sim a nossa justiça não merece mais, quando se vê o tempo perdido com processos como Casa Pia, Apito Dourado e muitos mais, vale mais fazer versos do que cansar o cérebro p'ra nada...
é verdade... já li a acta e até lá vêm as quadras escritas por este senhor... depois de ter chegado atrasado à audiencia! A nossa justiça cá anda... mal.. mas anda!lololol
Esta situação é apenas uma em muitas das que acontecem nos nossos tribunais. Peca po ser tola e desprovida de qualquer bom senso. Mais graves são os enormes atropelos dos direitos dos cidadãos que todos os dias acontecem
Este MP. vale ouro!Adorei estes atoleimados versos que assim passaram a ter dignidade de integrar um processo "doutrém". Nesta guerra de juízes/MP -assim vai a justiça e o país- este senhor ganhou à meretíssima
Fantástico! Brinca-se aos advogados? Sim a nossa justiça não merece mais, quando se vê o tempo perdido com processos como Casa Pia, Apito Dourado e muitos mais, vale mais fazer versos do que cansar o cérebro p'ra nada...
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Vê-se que teve 20 a Português.
"farei-o outra vez", talvez...
Só que no meu tempo, século XX dir-se-ia: "falo-ei outra vez".
Será que o "falo" não ficava bem na audiência?
Como diria Mia Couto: FANTABULOSO que é além de fantástico também fabuloso. Esse poeta (ou aprendiz de tal) deveria ser agraciado com a Gran Cruz do Infante. Por muito menos outros já a receberam (ou outra).
é verdade... já li a acta e até lá vêm as quadras escritas por este senhor... depois de ter chegado atrasado à audiencia! A nossa justiça cá anda... mal.. mas anda!lololol
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Vê-se que teve 20 a Português.
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