Ricardo Rodrigues estava a ser entrevistado pela revista ‘Sábado’ quando, a meio, levantou-se e levou os gravadores dos dois jornalistas, sem que estes dessem conta.
Justiça: Crime de deputado é agravado devido às funções que exerce no Parlamento
Deputado arrisca três anos de cadeia
Irritado com questões sobre casos de pedofilia e de fraude, em que o seu nome foi falado, Ricardo Rodrigues meteu ao bolso gravadores de jornalistas. DIAP de Lisboa acusa-o de atentado à liberdade de imprensa.
Incomodado com perguntas sobre um caso de pedofilia em que o seu nome foi falado, e sobre um processo em que foi arguido, depois de a Caixa Geral de Depósitos ter sido defraudada em milhões de euros, também nos Açores, Ricardo Rodrigues fixou os gravadores de dois jornalistas da ‘Sábado’, numa mesa. Até que se levantou e meteu os dois aparelhos ao bolso, em pleno Parlamento. Pôs fim à entrevista que concedera à revista, em Abril de 2010, justificando-se depois com "violência psicológica" – mas o Ministério Público não concorda. O deputado do PS foi agora acusado por atentado à liberdade de imprensa e arrisca até três anos de cadeia.
A Lei de Imprensa prevê a punição de quem "apreender ou danificar quaisquer materiais necessários ao exercício da actividade jornalística", na alínea C do artigo 33º. E, no ponto 2, a magistrada que conduziu o inquérito no Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa encontrou uma agravante, dadas as funções de Ricardo Rodrigues. "Se o infractor for agente do Estado ou de pessoa colectiva pública e agir nessa qualidade, é punido com prisão de três meses a três anos ou multa".
O Ministério Público entendeu que não houve furto – um dos crimes pelos quais a ‘Sábado’ apresentou queixa na altura, uma vez que o deputado se recusou a devolver os gravadores aos jornalistas da revista, confrontado logo no dia –, porque o único objectivo do vice-presidente da bancada do PS "foi perturbar o trabalho informativo, um bem que é sagrado num Estado de Direito", disse ao CM uma fonte judicial.
"Não há intenção de subtracção patrimonial" – porque o deputado quis, sim, "boicotar o trabalho dos jornalistas". Interpôs uma providência cautelar para tentar impedir a divulgação da entrevista gravada e filmada – e entregou os gravadores no tribunal, no âmbito da mesma acção, logo no início de Maio passado. Esta tentativa era um direito que lhe assistia – apesar de o juiz não lhe ter dado razão –, e o que Ricardo Rodrigues podia ter feito era "solicitar ao juiz que ordenasse a apreensão dos gravadores". Em vez de tomar a iniciativa de tirar aos jornalistas os aparelhos – que só foram devolvidos mais de um mês depois, já no DIAP de Lisboa.
O deputado do PS, confrontado pelo CM com a acusação, disse ontem que recusa fazer comentários sobre a sua "vida pessoal". E Miguel Pinheiro, director da ‘Sábado’, também não quis comentar o assunto. Ricardo Rodrigues, recorde-se, viu ser levantada a sua imunidade parlamentar para a investigação deste caso e depôs por escrito. Também os jornalistas foram ouvidos e, usadas como meio de prova, as imagens falam por si.
DEMITIU-SE NOS AÇORES POR CASO DE PEDOFILIA
Ricardo Rodrigues era secretário regional da Agricultura e Pescas dos Açores quando rebentou o escândalo de pedofilia nos Açores, conhecido por ‘caso Farfalha’. Corria o ano de 2003 e várias figuras conhecidas de Ponta Delgada viram o seu nome envolvido no escândalo, entre os quais Ricardo Rodrigues, que se demitiu do cargo que ocupava no Governo Regional. O advogado nunca foi constituído arguido e após a demissão foi eleito deputado.
ARGUIDO NUM CASO DE FRAUDE MILIONÁRIO
No início de Janeiro de 2004, o nome de Ricardo Rodrigues surgiu associado ao escândalo que envolvia uma fraude à agência da Caixa Geral de Depósitos em Vila Franca do Campo, Açores, lesada em vários milhões de euros. O agora deputado chegou a ser arguido e era advogado de Débora Raposo, que se fazia passar por milionária com interesse em investir nos Açores. Está presa e classificada pela polícia como "burlona e traficante de estupefacientes".
PERFIL
Ricardo Manuel de Amaral Rodrigues nasceu a 1 de Junho de 1958 nos Açores. Advogado de profissão, ocupa o cargo de vice-presidente da bancada parlamentar do PS e é membro de três comissões na Assembleia da República. Foi vogal do Conselho Superior do Ministério Público, nomeado pelo Parlamento, secretário Regional da Agricultura e Pescas do Governo dos Açores e secretário Regional do Ambiente.
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É preciso que os indivíduos que se julgam grandes, tão grandes que os outros lhe parecem pequenos; aprendam a viver em «verdade», e saibam que têm que ajustar contas a sociedade à sociedade.
O «abuso» não é um direito.
Neste Portugal dos pequeninos, em que os politicos roubam o que querem, fazem o que querem, ganham o que querem, e não vão presos porque alguns não querem. Que grande jeito dava uma vassourada para varrer esta corrupção.
O deputado roubou um gravador.Mesmo que não seja condenado,que é o mais provável penso que deveria passar a ser apelidado de Ricardo "ladrão de gravadores".
Punições neste país?! Só acredito naquelas de pessoas que roubam galinhas para comer, ou em quem faz download's ilegais! Agora, Políticos??? Ahahahah!!!!
Depois de tantos conflitos entre politicos e alguns jornalistas, penso que seria judicioso e inteligente tomar as cautelas necessárias para evitar esses conflitos. Onde começa e onde acaba a liberdade de imprensa?
Eu pago para ver ! E se o man tiver prisão como castigo, vai ser simplesmente 3 anos de "pena suspensa" ! O que equivale a ser absolvido desse atentado à Dmocracia e ao "Estado de Direito" !
A culpa não é dele, é do partido que o suporta e das pessoas que votam nesse partido sem terem conhecimento dos mitras que fazem parte da lista, no lugar dos jornalistas tinha defendido o q é meu, nem q fosse à porrada.
É preciso que os indivíduos que se julgam grandes, tão grandes que os outros lhe parecem pequenos; aprendam a viver em «verdade», e saibam que têm que ajustar contas a sociedade à sociedade.
O «abuso» não é um direito.
Depois de tantos conflitos entre politicos e alguns jornalistas, penso que seria judicioso e inteligente tomar as cautelas necessárias para evitar esses conflitos. Onde começa e onde acaba a liberdade de imprensa?
Eu pago para ver ! E se o man tiver prisão como castigo, vai ser simplesmente 3 anos de "pena suspensa" ! O que equivale a ser absolvido desse atentado à Dmocracia e ao "Estado de Direito" !
O deputado roubou um gravador.Mesmo que não seja condenado,que é o mais provável penso que deveria passar a ser apelidado de Ricardo "ladrão de gravadores".
Neste Portugal dos pequeninos, em que os politicos roubam o que querem, fazem o que querem, ganham o que querem, e não vão presos porque alguns não querem. Que grande jeito dava uma vassourada para varrer esta corrupção.
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Finalmente!!!!