A China já comprou este ano cerca de 1,1 mil milhões de euros de dívida de longo prazo da República Portuguesa, apurou o CM. Trata-se de uma ajuda preciosa na véspera do primeiro leilão de Obrigações do Tesouro (OT) e numa altura em que os mercados pressionam Portugal para que aceite um resgate de cerca de 80 mil milhões de euros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ontem, as taxas de juro das OT a 10 anos atingiram os 7,25% e só aliviaram com a intervenção activa do Banco Central Europeu (BCE) na compra de dívida nacional no mercado secundário.
Nos últimos tempos, vários responsáveis do governo chinês deixaram claro que a China, país que dispõe de uma forte liquidez, estava disponível para ajudar Portugal, Espanha e Grécia, países da Zona Euro que enfrentam há meses uma forte pressão dos mercados financeiros. A ajuda a Portugal é semelhante ao apoio dado a Espanha na semana passada, mas os requisitos de confidencialidade são severos. Os governantes chineses proibiram a divulgação oficial de qualquer pormenor sobre a transacção (sob pena de o negócio não se realizar), em particular qualquer referência à taxa de juro negociada com o governo português.
Na quinta-feira passada, as Finanças confirmaram que o Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público vai promover amanhã uma operação de colocação privada da dívida pública do Estado português, mas recusou fazer comentários sobre a contraparte. É neste contexto que a ajuda da China poderá aliviar a pressão dos mercados financeiros, até porque Portugal necessita este ano de um financiamento de 46 mil milhões de euros. Deste montante, 11,5 mil milhões de euros destinam-se a financiamento líquido do Estado, com vista a fazer face ao défice das contas públicas, e o restante a amortização da dívida.
BANCOS ESTÃO A PERDER 16 MILHÕES POR HORA
Desde o início do ano que a Banca portuguesa vive um autêntico pesadelo. Os três maiores bancos privados (BES, BCP e BPI) já perderam em Bolsa 839 milhões de euros, o que equivale a um prejuízo de 16,5 milhões por hora.
Segundo contas feitas por Luís Gonçalves, da GoBulling, desde o final de 1999 até ao dia de ontem, o Millennium/BCP já tinha perdido 53% do seu valor em capitalização bolsista, enquanto o BES perdia 11% e o BPI 52%. No total, estes três bancos perderam 40% do seu valor em Bolsa.
MALPARADO BATE RECORDE
Os calotes das famílias e empresas à Banca totalizaram, em Novembro do ano passado, 10,459 mil milhões de euros, um número nunca antes alcançado, segundo dados do Banco de Portugal.
Entre os consumidores, o valor do incumprimento atinge já mais de 3% do total de crédito concedido, chegando aos 4297 milhões de euros. Esta é, aliás, a maior percentagem de crédito em incumprimento desde 1998. Em relação ao período homólogo, houve um acréscimo de 470 milhões.
A maior subida registou-se nos empréstimos ao consumo: a cobrança duvidosa passou de 1073 milhões em Novembro de 2009 para 1316 no mesmo mês do ano passado. Na habitação, os calotes subiram de 1927 milhões para 1982 milhões, mais 2,85%.
Entre as empresas, a situação é ainda mais preocupante, já que o valor dos calotes atingiu em Novembro os 6162 milhões de euros. Num ano, o valor do incumprimento neste sector aumentou 14,4%, ou seja, mais 1321 milhões que no mês homólogo.
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quem deve tem que pagar mas ladrao que rouba ladrao tem 100 anos de perdao . quem se lembra dos verdadeiros roubos que a banca faz aos seu clientes quando os clientes estao em deficuldades.
Pode ser doloroso aceitar que a China nos ajude, mas entre as exigências da China ou do FMI, prefiro a China. O FMI não ajuda explora.Com a China pode haver trocas comerciais. Nem tudo se perde.
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