Charles Smith e Manuel Pedro vão requerer a abertura de instrução do processo para contestar os fundamento da acusação de tentativa de extorsão aos ingleses do Freeport. Paula Lourenço, advogada dos dois promotores, disse ao CM que a fundamentação daquele crime é 'inconsistente, incoerente e ridícula'.
Paula Lourenço manifesta-se surpreendida com o tipo de crime de que Smith e Pedro estão acusados. 'Eles nunca foram indiciados por tentativa de extorsão.' A advogada, que já começou a consultar o processo, refere que todas a diligências foram feitas para 'investigar alegados actos de corrupção'.
Segundo Paula Lourenço, os fundamentos centram-se na reunião no escritório dos advogados Albertino Antunes, Alexandre Oliveira e José Gandarez, genro do então ministro da Economia, Mário Cristina de Sousa. Naquele encontro, em Dezembro de 2001, Charles Smith confirmou que os advogados avançaram a proposta de conseguir aprovar o licenciamento do projecto em troca de 4 milhões de libras. Proposta que foi apresentada aos ingleses nesse mesmo dia por Charles Smith. Segundo declarou à investigação, os administradores do Freeport recusaram o pagamento.
'Se os ingleses são as vítimas da tentativa de extorsão, como é que o processo é arquivado em Londres?', questiona a advogada. Entre os fundamento do Ministério Público constam ainda pagamentos feitos pelo Freeport à Smith & Pedro, entre os quais um de 17 mil euros. A Defesa alega que, além do trabalho dos promotores, a empresa teve de pagar diversas licenças e alvarás para a construção. 'Tudo isto custa muito dinheiro', diz a advogada.
Por força das férias judiciais, os requerimentos para abrir instrução entram a 1 de Setembro.
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