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Paulo de Carvalho: Músico completa 60 anos de idade

Acho que não sou uma pessoa muito conhecida

"Não gosto de me entender como um artista. Isso é uma coisa que os outros me chamam. Eu sou sim um trabalhador do espectáculo e isso faz com que eu não sinta aqueles dramas que os tais artistas sentem, por exemplo, com o envelhecimento.”

Por:Miguel Azevedo

 

A completar 60 anos de idade e 45 de carreira – a contar desde que fundou os Sheiks, “uma banda que entre 1962 e 1968 teve um sucesso idêntico ao que os Xutos ou os GNR hoje têm” –, Paulo de Carvalho passa, no entanto, muito pouco do seu tempo a pensar no passado e naquilo que já fez. “As minhas maiores saudades vêm do futuro e do que ainda me falta realizar”. Pouco preocupado com a fama divide actualmente a sua vida profissional entre o espectáculo ‘Vida’ com o qual tem percorrido o País e um projecto sobre fado encomendado pela casa da música no Porto para arrancar no final do ano.
Para trás contam-se 21 discos, duas vitórias no Festival da Canção, um número infindável de espectáculos, centenas de canções e uma mágoa. “Incomoda-me que as pessoas continuem a perguntar pelo Paulo de Carvalho do ‘E Depois do Adeus’. Cada ano que se comemora o 25 de Abril lá se fala em mim e na canção, mas fala-se pouco do que fiz depois de 1974. Essa é uma pequena mágoa que guardo, mas que curiosamente é aquela que me dá força para continuar. E num exemplo, que avisa ser desproporcionado, ironiza: “O Camões levou séculos para ter a sua obra reconhecida. É um problema da nossa cultura. O próprio Zeca Afonso que foi o grande inovador da música popular portuguesa ainda não viu o seu trabalho reconhecido”. O mundo das artes tem destas coisas. “O público gasta-nos enquanto duramos e são poucos os que ficam connosco na memória e que continuam à procura do que fazemos.”
"AS NOITADAS JÁ TIVERAM O SEU TEMPO"
O tempo tem passado, mas quanto à voz, garante, que continua “no pleno das suas capacidades”. As noitadas já tiveram o seu tempo, o tabaco continua fora da sua rotina (e já lá vão quase vinte anos) e as bebidas brancas nem sequer lhes toca. “Prefiro muito mais os tintos”, graceja.
Nascido em Lisboa a 15 de Maio de 1947, Manuel Paulo de Carvalho Costa afiança que as suas ocupações se prendem com aquilo que está para vir. “Preocupo-me mais com que música é que vou fazer, com quem é que vou tocar e por aí fora. Não me preocupa muito se o público vai gostar do que eu faço, se o disco vai vender muito, se me mantenho com fama”. Hoje não tem dúvidas. “Acho que não sou muito conhecido. E acho que aquelas pessoas que falam de mim não me conhecem. Estou a falar da minha geração, porque as gerações que vieram depois não têm obrigação de conhecer o meu trabalho”.
A carreira de Paulo de Carvalho arrancou logo aos 15 anos quando fundou os Sheiks onde tocava bateria. “É engraçado que as coisas não foram muito diferentes do que são hoje”, diz. “Naquela altura as bandas não saíam de garagens mas saíam de armazéns. Da mesma forma tínhamos que comprar os instrumentos às prestações como os putos hoje fazem. As coisas é que tinham outros nomes. Em vez de concertos, dávamos bailes. Não havia faculdade que não fizesse a sua festa durante a semana ao final da tarde. Diz-se que a história não se repete, mas há histórias que se repetem”.
Em meados dos anos 80 insurgiu-se contra a invasão da música anglo-saxónica e lançou o álbum ‘Desculpem Qualquer Coisinha’. De lá para cá pouco mudou. “Acho que as coisas até pioraram. Há menos meios de promoção nas rádios por causa das play-list e nas televisões porque agora há a mania de que a música não dá ‘share’”.
Contente com o passado, garante ainda assim que não pertence àquele grupo de pessoas que diz que não se arrepende de nada na vida. “Assinei muitos contratos com editoras quase de cruz, sem os ver, e isso sim se voltasse atrás faria de maneira diferente”, remata.
FADO PARA O PORTO
Entre os vários projectos que Paulo de Carvalho aceitou abraçar este ano, contam-se um espectáculo de fado encomendado pela Casa da Música no Porto para estrear no dia 9 de Dezembro. O projecto que ainda está numa fase muito embrionária devolve Paulo de Carvalho a uma área na qual o músico já trabalhou. “E acho que é isto que vou continuar a querer fazer”.
O espectáculo para o qual Paulo de Carvalho contará ainda com a ajuda de Tiago Torres da Silva e o Armindo Neves vai contar com vários fadistas convidados, e ter também músicos de outras áreas, “incluindo da área do jazz e alguns músicos estrangeiros. O meu desejo é conseguir depois colocar este espectáculo noutros locais do País. São cantigas da área do fado, mas ainda não sabemos se serão originais”.
MÚSICO JOGOU NO BENFICA E BELENENSES
Muitos não saberão mas a determinada altura da vida Paulo de Carvalho teve de escolher entre o futebol e a música. “Aos 15 anos tive que tomar decisões. Uma pessoa como eu, que era da classe média baixa, que trabalhava numa companhia de seguros e que se desdobrava para fazer várias coisas, teve a determinada altura que decidir o que queria fazer. Eu joguei basquete e futebol e cheguei a ser vice-campeão de Lisboa pelo CIF (Clube Internacional de Futebol), mas um dia tive que optar”, conta o cantor que jogou nos infantis do Benfica e nos juniores do Belenenses. “O meu cartão do Belenenses dei ao meu grande amigo Carlos do Carmo porque ele pensava que eu só era do Benfica”.
Hoje a sua relação com o futebol é a de simples “treinador de sofá”. Não vai aos estádios por “não haver condições”, não sofre com o jogo, mas partilha das dores de muitos adeptos. “Os dirigentes têm protagonismo a mais”.
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Comentários a esta notícia
  • Comentário feito por:Fernando Lúcio Antunes
  • 10 Maio 2007

O amigo do Brasil pode adquirir discos-CDs dos SHEIKS pois há à venda em Portugal

  • Comentário feito por:Fernando Lúcio Antunes
  • 10 Maio 2007

O amigo do Brasil pode adquirir discos-CDs dos SHEIKS pois há à venda em Portugal

  • Comentário feito por:Fernando Lúcio Antunes
  • 10 Maio 2007

O amigo do Brasil pode adquirir discos-CDs dos SHEIKS pois há à venda em Portugal

  • Comentário feito por:Fernando Lúcio Antunes
  • 10 Maio 2007

O amigo do Brasil pode adquirir discos-CDs dos SHEIKS pois há à venda em Portugal

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