Foto Manuel Araújo / Record 
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17.11.2012  15:00
"Brasileiros querem Ronaldo no Mundial"
Vagner Love, avançado brasileiro do Flamengo, não esconde o desejo de jogar na Liga portuguesa, embora esteja apostado em integrar os convocados do Brasil para o Mundial de 2014, onde espera ver Portugal.

Correio Sport - Deixar a Rússia para voltar ao futebol brasileiro correspondeu às suas expectativas?

Vagner Love - Voltar ao Brasil era algo que eu queria muito. Estava na Rússia há demasiado tempo. Fui sempre muito bem tratado, os adeptos gostavam de mim, mas estava um pouco desgastado. Fui feliz em Moscovo, mas queria voltar, tentar ir à selecção, porque tenho o sonho de fazer parte da equipa brasileira no Mundial de 2014.

- Não é normal ver o Flamengo em 9º lugar. O que é que correu mal?

- Ver o Flamengo nessa posição é triste, por tratar-se de um clube histórico do Brasil, habituado a lutar pelo título. Mas agora, o importante é preparar bem a próxima época para que tudo corra pelo melhor e o ‘Mengão' volte a ocupar os lugares cimeiros no Brasileirão.

- É verdade que não está satisfeito no clube e pretende sair de imediato?

- A imprensa brasileira escreveu coisas que não correspondem à realidade. Estou bem no Flamengo, tenho contrato e sinto-me muito feliz aqui. Só admito sair se for para o estrangeiro e com uma proposta muito boa. Mas no Brasil, só jogarei no Flamengo.

- A Liga portuguesa seria um bom destino para si?

- Se algum dos grandes clubes portugueses apostassem em mim, ficaria muito satisfeito. É um país que conheço bem, o futebol praticado é de alto nível. Fui lá muitas vezes quando estava na Rússia e gostei. Não iria estranhar muito a mudança. Acho que a adaptação seria até muito fácil.

- Muitas vezes falou-se do interesse de Benfica, Sporting e FC Porto em si. O que houve de concreto?

- Falou-se muito, mas foram mais boatos do que outra coisa. O Benfica foi o único que chegou a revelar algum interesse, mas não houve nada de concreto. De qualquer forma, fiquei feliz por ver um clube tão grande interessar-se por mim.


- Consta que esse interesse só não se concretizou porque tem um salário demasiado alto. É verdade?

- O presidente do CSKA pedia muito dinheiro para me deixar sair. Ele dificultou sempre a minha saída. Muitos clubes europeus interessaram-se por mim, mas quando ouviam as suas exigências, desistiam. No Flamengo, essa situação não se coloca. De certeza que o Flamengo não iria colocar tantos problemas.

- Sabia que os adeptos do Sporting lembram-se de si pelos piores motivos?

- É normal que assim seja, porque ganhei com o CSKA a Taça UEFA em pleno Estádio de Alvalade [3-1]. Foi um momento muito feliz para mim, em particular, e para o futebol russo, em geral. Mostrámos que tínhamoscondições para derrotar qualquer equipa europeia.

- Deco, internacional português, sagrou-se campeão brasileiro pelo Fluminense. Esteve atento às suas exibições?

- O Fluminense fez uma excelente campanha e ganhou o título com toda a justiça. Deco foi uma referência da equipa, penso que tem 50 por cento de mérito na conquista deste título de campeão brasileiro.

- Deco, Liedson, Ronaldinho Gaúcho e muitos brasileiros que jogaram na Europa regressaram ao Brasil já em final de carreira e continuam a brilhar. Como explica isso?

- Eles impõem-se pela qualidade e não pelas características do futebol brasileiro. Jogadores como Deco ou Liedson foram brilhantes no Brasil e sê-lo-iam igualmente no futebol europeu. Eles impuseram-se pela sua qualidade. É isso é que conta e não a idade.

- Já se notam muitas mudanças no Brasil, motivadas pela realização do Mundial de 2014?

- Mudanças há poucas, a não ser a construção dos estádios que vão receber os jogos. Estão quase prontos. Espero que até 2014 fique tudo pronto para receber os visitantes.


- Na Europa, muita gente teme que a violência possa ser um obstáculo à boa organização da prova...

- Há o problema da violência, não há que escondê-lo, talvez mais em São Paulo. Mas é um fenómeno que existe em qualquer parte do Mundo actualmente. O Brasil não é excepção. Mas as forças de segurança estão a combater o problema e tenho a certeza de que os brasileiros vão unir-se para que o Mundial dê uma boa imagem do nosso país.

- Pelo que conhece das duas realidades, Neymar teria na Europa o mesmo sucesso que está a ter no Brasil?

- Neymar teria sucesso na Europa, sem qualquer problema. Ele faz a diferença, onde quer que seja. Se estivesse no futebol europeu, lutava de igual para igual com Lionel Messi e Cristiano Ronaldo pelo título de melhor jogador do Mundo.


- O Brasil já aceita Hulk como estrela do futebol mundial?

- Às vezes falam mal dele, mas tem qualidade. Está a despontar e a chamar a atenção de todo o Mundo. Tem de continuar a jogar bem na Rússia e agarrar as oportunidades na selecção.

- O Brasil não se tem mostrado tão forte como em anos anteriores. Têm equipa para superar selecções como Espanha e Alemanha?

- O Brasil está um pouco abaixo de outras selecções, mas ainda dispõe de tempo para acertar detalhes e começar a ganhar. É importante ganhar este Mundial, ainda por cima jogando em casa. É uma selecção que se supera, tenho a certeza de que tudo vai correr bem. O Brasil entra sempre para ganhar e é isso que vai acontecer.

- O montante da transferência de Hulk [40 milhões de euros] causou surpresa?

- Para mim não foi surpresa, os russos investem muito em jogadores estrangeiros de qualidade, para que o campeonato seja mais forte. É um país com muitos milionários que se interessam pelo futebol e podem pagar muito dinheiro por jogadores que estão referenciados.

- Como vêem os brasileiros a dificuldade que Portugal está a encontrar na campanha de qualificação?

- Seria desagradável se Portugal não se qualificar. Tem grandes jogadores e os brasileiros querem ver de perto as suas estrelas, especialmente Cristiano Ronaldo. Temos todo o interesse em que venham as melhores selecções do Mundo.

- Fora de Portugal, existe a ideia de que há sempre grandes jogadores, mas no momento da verdade, alguma coisa falha. Partilha dessa opinião?

- Acho que sim, Portugal costuma ter bons futebolistas, mas por um detalhe ou outro, os títulos fogem. Mas com o potencial que tem, se preparar bem, vai acabar por conseguir.


- Em Janeiro de 2013, a FIFA vai eleger o melhor jogador do Mundo. Por quem torce?

- Cristiano Ronaldo é um grande jogador, mas eu gosto mais de Messi. Nada tenho contra o Cristiano, mas actualmente Messi faz a diferença, está um bocadinho à frente do Ronaldo.

- E no Brasil, além de Neymar, quem são os jogadores que mais se destacam?

- Destaco o Lucas, do São Paulo, que vai jogar no Paris Saint--Germain. Fez muita sensação no Brasileirão. O Wellington Nem, do Fluminense, que tem muito talento, e o Paulinho, trinco do Corinthians. São jogadores que, mais dia, menos dia, vão deixar o Brasil e fugir para a Europa.

- O que mais gostou das visitas que fez a Portugal?

- Adoro tudo, o clima, as pessoas e a comida. Sou um fã incondicional do bacalhau que se come em Portugal. É diferente do que encontramos noutros países. Fui muitas vezes jantar com o Dionísio Castro [empresário], estava com a família dele e fazia quase sempre questão de comer bacalhau. Tenho saudades.

PERFIL

Vagner Silva de Souza, mais conhecido por Vagner Love, nasceu no Rio Janeiro a 11 de Junho de 1984 (28 anos). Notabilizou-se no futebol brasileiro ao serviço do Palmeiras, onde jogou de 2002 a 2004, ano em que se estreou pela equipa principal da selecção canarinha e veio jogar para a Europa. No CSKA de Moscovo, único clube que representou fora do Brasil, venceu uma Taça UEFA, frente ao Sporting, no Estádio José Alvalade (3-1). Em 2009, regressou ao Palmeiras, cedido pelo CSKA. A experiência não correu bem e no ano seguinte mudou para o Flamengo, clube que representa actualmente. Pelo rubro-negro já leva 43 golos em 68 partidas.

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