Foto Bruno Colaço
O filósofo Eduardo Lourenço fotografado no Centro Cultural de Belém, esta quinta-feira
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21.09.2012  01:00
Eduardo Lourenço: “Sou um leitor compulsivo”
Se o toque de um telemóvel perturbou por momentos a conferência que Eduardo Lourenço proferiu ao final da tarde de quinta-feira, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, não há que acusar ninguém: foi o do próprio filósofo a reclamar atenção. De resto, tudo foi sereno numa sessão que decorreu em registo confessional e que inaugurou o ciclo de conferências ‘Ler em Voz Alta’, promovido pela revista ‘Ler’ pelos seus 25 anos de vida.

Ao lado de João Pombeiro, director da revista, e frente ao secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, o filósofo disse-se um leitor compulsivo e os livros “a imagem sacralizada do mistério da vida”.

“Não nasci em berço de ouro e não tinha biblioteca em casa, mas quando descobri os livros tornei-me naquilo que sou hoje: um leitor compulsivo”, contou Eduardo Lourenço a uma sala praticamente cheia. “O meu pai, que tinha alguma instrução, tinha já a paixão dos livros e deixou uma mala com alguns. Nela descobri um autor que se podia ler na escola, o Júlio Dinis, um dos grandes do século XIX. Foi a Jane Austen que nós não tivemos.”

Falando de autores que o marcaram, referiu os outros dois “grandes”: Garrett e Camilo Castelo Branco, mas também Fortunato de Almeida.

“Os livros são uma espécie de esfinge que nós criámos e que temos de decifrar, sob pena de permanecer ignorante dos grandes mistérios: Quem somos? De onde vimos? Para onde vamos?”

Referindo-se ao conflito entre o mundo ocidental e o mundo oriental, Eduardo Lourenço explicou-o também do ponto de vista dos livros – enquanto a luta de dois livros santos.

“O Ocidente já não luta pelo seu livro – algo que eu não posso lamentar, porque a Inquisição fez mortes suficientes. Mas há que reconhecer que há nisto alguma impotência…”

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